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01 março 2017

Pessoas com autismo estão morrendo cedo e 'isso é inaceitável', diz organização beneficente



 Pessoas com autismo estão morrendo décadas antes da média da população, uma pesquisa revelou.

Cientistas da Suécia analisaram dados de 27 mil pessoas com autismo e os compararam com quase 3 milhões de adultos que não têm a condição.

Eles constataram que os adultos com o diagnóstico de autismo morreram, em média, 16 anos antes dos membros da população geral.

Epilepsia e suicídio emergiram como as duas causas principais de morte precoce de autistas.

A organização beneficente britânica Autistica prometeu levantar 10 milhões de libras para lançar um programa de pesquisas sobre as estatísticas, descritas como “vergonhosas”.
O autismo é um transtorno vitalício que afeta cerca de 1% da população e, segundo a Press Association, afeta a capacidade de se comunicar e se relacionar com outras pessoas.

Sendo uma condição dita de “espectro”, seus sintomas podem variar de leves a muito graves, de pessoa para pessoa.

O estudo sueco descobriu que os autistas que também sofrem de um distúrbio de aprendizagem morrem mais de 30 anos antes da média da população, com a idade média de apenas 39 anos.

As pessoas com autismo que não apresentam entraves intelectuais morrem 12 anos antes da média, e mesmo autistas “de alto funcionamento”, com boas habilidades linguísticas e fonéticas, apresentam o dobro do risco médio de morrer jovens.

Entre 20% e 40% das pessoas com autismo sofrem de epilepsia, comparados com 1% da população geral. Os autistas sem entraves de aprendizagem também apresentam um risco nove vezes superior à média de cometer suicídio.

O executivo-chefe da Autistica, Jon Spiers, comentou: “Esta nova pesquisa confirma a verdadeira escala da crise oculta de mortalidade no autismo.

“A disparidade de resultados de pessoas autísticas revelada nestas cifras é vergonhosa. Não podemos aceitar uma situação em que muitos autistas não chegarão a completar 40 anos de idade.”

Falando em Londres, Spiers acrescentou: “Queremos levantar 10 milhões de libras nos próximos cinco anos para financiar um grande programa novo de pesquisas no Reino Unido sobre a mortalidade no autismo.

“Trata-se de um montante muito importante para nós, algo que supera o que já levantamos em toda nossa história de entidade beneficente de pesquisas. Mas consideramos que é imperativo moral tomar a iniciativa de tentar entender melhor por que os autistas estão morrendo tão cedo.”

Comentando as descobertas, Mark Lever, executivo-chefe da Sociedade Nacional de Autismo, disse: “Os 700 mil autistas do Reino Unido e suas famílias vão se angustiar profundamente com essa descoberta. Nossa entidade não pode aceitar e não aceita um mundo em que os autistas morrem mais de uma década mais jovens que o resto da população.

“Embora este estudo seja baseado em uma pesquisa sueca, não temos razões para crer que a situação seja muito diferente aqui. Na realidade, tememos que possa ser pior. O governo e as autoridades nacionais de saúde precisam urgentemente estudar o que está acontecendo neste país e começar a corrigir os desacertos.

“Os autistas e suas famílias precisam de garantias do governo e do NHS (o Serviço Nacional de Saúde) de que este problema será levado a sério e que serão tomadas medidas para corrigi-lo.”

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