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17 fevereiro 2017

Estereótipos impedem que mulheres com autismo se revelem

Acreditava-se que o autismo afetava mais os homens, uma teoria que já foi refutada, mas cujo legado permanece como um efeito devastador em mulheres com a doença
Professora mostra uma figura para
a aluna autista em uma escola de Paris (©AFP/Arquivo / Joel Saget)

Antes acreditava-se que o autismo afetava muito mais homens do que mulheres — uma teoria que já foi refutada, mas cujo legado permanece como um efeito devastador em mulheres com a doença.


Kay Locke, de 50 anos, que vive em Stockport, cidade na área metropolitana de Manchester, na Inglaterra, esperou 41 anos pelo diagnóstico que, finalmente, permitiria que ela se aceitasse como era.
“Costumava pensar que havia algo socialmente inaceitável a meu respeito”, explicou.

“As pessoas não gostavam de mim, embora eu fizesse de tudo para ser agradável. Eu sempre os irritava de alguma maneira, e depois nunca os via outra vez. Eu realmente queria ser sociável, mas apenas não sabia como.”

Durante essas quatro décadas, Locke teve dificuldades para manter amizades, porque não conseguia se encaixar nas expectativas da sociedade quanto à maneira que uma mulher deve se comportar e sentir.

“Sentia pressão para ser — por falta de uma expressão melhor — ‘normal’”, afirmou.

“É diferente para os homens. Meu pai era muito peculiar, e as pessoas gostavam do fato de ele ser estranho, mal-humorado e complicado — em minha experiência, isso é mais aceitável para um homem do que para uma mulher.”

“Quando eu era mais jovem, provavelmente era um certo pesadelo”, lembra Locke. “Dizia coisas que podiam soar muito inapropriadas ou impensadas.”

Ela teve dificuldades na escola, onde os professores a rotulavam de “criança maçante” que “não conseguia aprender” (apesar de Locke ter seguido em frente e hoje tem vários diplomas de mestrado, além de ter fundado seu próprio negócio, Yoga2Calm). Ela era terrivelmente assediada e, muita vezes, perdia o almoço porque no caminho ao refeitório poderia ter de enfrentar uma situação com a qual não saberia lidar.

Locke desenvolveu estratégias para poder ser “aprovada” em situações sociais.

“Tento evitar conversa fiada”, explicou. “Se alguém perguntar: ‘Como vai?’, vou pensar que realmente é uma pergunta muito abrangente e não vou saber como responder.”

“Mas aprendi a dizer: ‘Ah, estou bem. Como vai?’. Isso pode soar apenas como uma pequena estratégia, mas, para mim, saber o que fazer nessa situação é realmente algo importante.”

No entanto, apesar de Locke ter aprendido a navegar nas interações sociais, isso não quer dizer que tenham se tornado mais fáceis para ela.

“Quando tenho de lidar com uma situação social, posso ficar muito mal do estômago e ficar doente”, diz. “É minha ansiedade tirando o que tenho de melhor. Aprendi a apenas aceitar isso como parte da minha vida.”

É por isso que, depois de anos sentindo que havia “algo de errado” com ela, ser diagnosticada com o espectro autista foi um “absoluto alívio”.

“Olhando para trás, era óbvio”, afirma.

“Agora sei que não podia funcionar na sala de aula porque estava sobrecarregada, e aquilo me deixava muito ansiosa. Estava sempre pronta para brigar ou fugir, mas ninguém nunca percebeu isso, apenas me rotulavam como ‘estúpida’.”

“Tinha vários sintomas de uma menina e de uma mulher jovem que eram simplesmente ignorados.”

“Na verdade, dá vontade de dar risada, tiraram minhas amígdalas quando tinha 21 anos porque pensaram que eu não ficaria mais doente. Ninguém nunca pensou que os sintomas que eu apresentava repetidamente eram causados por ansiedade.”

Locke não está sozinha, de acordo com Carol Povey, diretora do Centro para Autismo da Sociedade Nacional Autística (NAS). Muitas mulheres com espectro autista passam anos vivendo sem um diagnóstico.

“Muitas vezes vemos mulheres que são diagnosticadas com mais idade porque receberam o diagnóstico errado de transtornos alimentar, bipolar ou de personalidade, quando os médicos foram incapazes de perceber os sinais da síndrome de Asperger”, explica Povey, acrescentando que o Centro para Autismo NAS Lorna Wing é especializado em diagnosticar mulheres que receberam o diagnóstico errado quando eram mais jovens. “Mas ainda há um longo caminho a percorrer”, diz.

Ainda existem milhares de mulheres e meninas sem o diagnóstico correto que estão em busca de apoio, mas sem saber a onde recorrer.

E de alguma forma Locke podia estar esperando seu diagnóstico, mas o resultado surpreendeu muitos de seus amigos e conhecidos, que não acreditavam que ela apresentava todos os traços “necessários” para ter autismo. Mesmo agora, muitas vezes, dizem a ela: “Você não parece ou age como se tivesse autismo”.

Mas, como Locke sabe muito bem, pessoas com autismo não possuem uma única maneira de agir.

Locke e o marido, Martin, têm duas filhas: Natasha, de 24 anos, e Olivia, de 15. Ambas foram diagnosticadas com o espectro autista.

Como todas as crianças, as irmãs são muito diferentes e suas experiências de autismo são também muito diversas.

“Todas temos autismo, mas expressamos [a síndrome] de forma diferente”, Locke explicou.

“O autismo de qualquer pessoa é diferente, já que nossa aparência é diferente, nossos cérebros são diferentes, a forma como amadurecemos é diferente, assim como a forma de lidar é diferente.”

Fiona O’Leary, de 44 anos, de West Cork, na Irlanda, concorda.

“Se você encontrar uma pessoa com o espectro”, explica, essa pessoa será única.

“Existem traços comuns, mas são apresentados de forma diferente, a personalidade desempenha um grande papel também.”

O’Leary, que é fundadora da organização não governamental Autistic Rights Together, tem cinco filhos com o marido, Tim: Dillon, de 23 anos, Vito, de 11, os gêmeos Romy e Sienna, de 8, e Phoebe, de 6.

Dillon e Vito foram diagnosticados com o espectro autista.

“Meu filho mais velho é muito sociável e extrovertido, enquanto que para o mais jovem as interações sociais são mais desafiadoras, um pouco mais como no meu caso, acredito”, explicou.

“A interação social para mim é certamente o assunto mais complexo de estar no espectro.”

Como Locke, O’Leary só foi diagnosticada por volta dos 40 anos, depois que seus filhos receberam o diagnóstico.

“Recebi minhas anotações do hospital há alguns anos e foi chocante lê-las, porque era óbvio que eu era autista desde pequena”, disse.

Ela cita traços como evitar olhar nos olhos das pessoas, problemas de interação social, “tudo foi anotado, mas ninguém considerou que eu poderia ser autista e acredito que em parte foi porque eu era mulher”.

“Quando eu era mais jovem, tinha ansiedade e transtorno alimentar, ambos traços comuns de mulheres no espectro”, diz O’Leary, destacando que os sintomas não levaram a um diagnóstico correto.

“Recebi o diagnóstico errado e me deram medicação —tranquilizantes para ansiedade — aos 16 anos. São medicamentos pesados com efeitos colaterais, não me ajudaram porque não eram o que precisava. Foi como se tivessem me engessado.”

“Receber o diagnóstico aos 42 anos foi muito importante para mim, porque passei a maior parte de minha vida me martirizando. Era muito crítica em relação a mim mesma. Não sabia quem eu era, e é uma maneira terrível de se viver. Desenvolvi anorexia quando era adolescente quase como uma maneira de lidar com a confusão.”

“Mas o diagnóstico explicou muito por que sou da maneira que sou e me amo muito mais agora.”

“Quando era jovem, assim como muitas garotas, era muito consciente sobre mim mesma”, acrescentou O’Leary. “Que é uma boa característica, mas uma faca de dois gumes, porque significa que sabemos que somos diferentes e fazemos de tudo para nos encaixarmos, para imitar.”

“Também internalizamos nossos sentimentos, o que para mim causava vários sintomas físicos, como dor de estômago e desmaios.”

“Aprendi a ficar quieta e a não reclamar, porque é o que as mulheres fazem. Então se eu estivesse em uma situação estressante, nunca diria a ninguém que estava me sentindo ansiosa, apenas sofria.”

“Tentar agradar outras pessoas a todo momento é exaustivo, e é como me sentia, sendo a Fiona antes do diagnóstico.”

“Como mulheres, nos esforçamos tanto para agradar os outros — para nos encaixarmos nas caixas que eles querem que nos encaixemos — que negligenciamos a nós mesmas e negligenciamos nossa saúde mental, e acho que isso é realmente muito triste, mas é a realidade.”

As mulheres que desenvolveram a capacidade de “mascarar” ou esconder os sinais de que estão no espectro autista podem, por fora, parecer mais integradas na sociedade, mas, como O’Leary afirma, o esforço tem um preço.

Segundo Povey, mascarar os sentimentos pode ser parcialmente responsável pela alta incidência de ansiedade e transtornos alimentares entre mulheres no espectro.

“Mascarar a si mesma pode ser muito cansativo e estressante”, diz. “E muitas vezes isso está relacionado com o desenvolvimento de problemas secundários como ansiedade, transtornos alimentares ou depressão, bem como o aumento das chances de um diagnóstico errado.”

Alis Rowe, de 27 anos, de Londres, foi diagnosticada com a síndrome de Asperger há cinco anos. Ela passou muito tempo de sua formação escolar mascarando seu comportamento natural.

“Ninguém deveria fingir ser o que não é”, diz Rowe.

“Até terminar a universidade, sempre tentei me encaixar. Fazia coisas que não queria fazer, porque pensava que eram as coisas que deveria estar fazendo.”

“No entanto, quando você percebe que não faz parte do ‘mainstream’ [do que é convencional], percebe que as coisas convencionais não vão funcionar para você.”

“Na verdade, os conselhos que as pessoas costumavam me dar, para ‘me esforçar’ e ‘sair da minha zona de conforto’, no final me deixavam muito pior e provavelmente causaram minha depressão”, continua Rowe.

“Eu sei quem sou. Sempre fui muito feliz em casa, onde tinha permissão para ser eu mesma e fazer minhas próprias coisas.”

“Foi apenas quando estava com outros da minha idade que me sentia estranha, anormal, inferior e diferente.”

“Não me enquadro no que a sociedade define como uma mulher deve ser. Quando você é mais jovem, isso pode fazer você duvidar de sua própria identidade, de sua sexualidade.”

“Mascarar é algo muito fácil de se fazer, você apenas copia os outros, e funciona quando você é mais jovem, já que as interações sociais são simples. Mas, assim que você atinge a adolescência e adquire uma maior consciência de si próprio e dos outros, começa a desmoronar.”

Rowe é fundadora do The Curly Hair Project, um empreendimento social dedicado a apoiar mulheres e meninas no espectro, o que a colocou em contato com milhares de outras mulheres com experiências semelhantes às suas. O projeto a levou a acreditar que o autismo pode estar subdiagnosticado entre as mulheres.

Povey, da NAS, concorda que as estimativas sobre o número de mulheres no espectro autista são difíceis de calcular.

“Não há forma de saber a verdadeira discrepância entre o número de homens e mulheres autistas; as taxas de prevalência variam muito entre proporções de 2-1 para 6-1”, explicou.

“Anteriormente, acreditava-se que o autismo afetava muito mais homens do que mulheres, enquanto, mais recentemente, avalia-se que a discrepância nos diagnósticos pode ser devido [ao fato] de que as mulheres são melhores em mascarar os clássicos sintomas do autismo e apresentá-los de maneiras diferentes, tornando a identificação mais difícil para médicos e pais.”

“Pesquisas anteriores sobre o autismo se concentraram muito mais em homens, significando que a forma pela qual entendemos a doença, culturalmente e clinicamente, tende a ser baseada em experiências e comportamentos de homens e meninos.”

“Isso reforça a narrativa muito masculina do autismo, que tem moldado os critérios usados para diagnosticar o autismo, o tipo de apoio disponível para as pessoas e a percepção pública sobre o que é o autismo.”

Neste ciclo perpétuo, que poderia ser visto como uma forma de discriminação estrutural não intencional, muitas mulheres e meninas passam a vida sem um diagnóstico ou recebem o diagnóstico errado e ficam sem apoio, o que poderia fazer uma enorme diferença em suas vidas.

Nicky Clark, de anos 49, de Shropshire, na Inglaterra, passou por isso. Clark e suas duas filhas foram diagnosticadas com o espectro autista. Mas o diagnóstico dela e de sua filha mais velha não foi nada simples.

“Diagnosticar o espectro autista é mais difícil entre meninas, porque muitas vezes somos condicionadas a apresentar uma máscara”, disse.

“É como se você fosse um cisne deslizando na superfície da água, mas furiosamente dissimulando por baixo.”

“O estresse de esconder todo aquele fingimento, para não perturbar as pessoas, deve ter um papel no motivo pelo qual há uma alta incidência de transtornos alimentares e ansiedade em mulheres com o espectro autista.”

Lizzy, de 21 anos, a filha mais velha de Clark, foi diagnosticada aos 11 anos, depois de um processo de 18 meses de avaliação — durante o qual ela recebeu o diagnóstico equivocado de déficit de atenção/hiperatividade e o remédio Ritalin.

Sua filha mais nova, Emily, agora com 18 anos, foi diagnosticada aos 3 anos. O processo no caso dela foi mais fácil, e Clark acredita que seja porque ela apresentou mais sinais típicos do espetro autista — não olhava nos olhos das pessoas, não conversava e parecia estar ausente.

Ter duas filhas diagnosticadas em idades diferentes significa que Clark tem experiência em notar a diferença que o diagnóstico precoce pode fazer em termos de apoio disponível para uma criança.

“É absolutamente crítico”, disse. “Lizzy não teve apoio, mas o diagnóstico de Emily significou que ela foi capaz de conseguir apoio, primeiro na educação convencional, e depois com um especialista em casa.”

Clark, por sua vez, apenas foi diagnosticada em outubro de 2015. Ela notou que as pessoas ficam muitas vezes “surpresas” ao saber que ela se encontra no espectro autista, porque sua carreira como defensora dos direitos de pessoas portadoras de deficiência e escritora com blogs no The Huffington Post do Reino Unido e artigos publicados nos jornais The Guardian e Independent não se enquadra na visão delas do que uma pessoa com autismo pode conseguir.

“As pessoas dizem: ‘Você não pode ser autista, você é muito criativa’”, diz. “Mas, na verdade, a escola de teatro foi maravilhosa para mim, porque, depois de anos mascarando, estava bem preparada para atuar — como se eu tivesse sido várias pessoas diferentes, em vez de ser eu mesma, toda minha vida.”

Um motivo pelo qual Clark sente que tinha de esconder muito de sua verdadeira personalidade foi devido ao padrão tendencioso sobre as expectativas do que é um comportamento aceitável para um homem e uma mulher.

“Realmente acho que sou vista como ‘difícil’ devido à maneira pela qual reajo às coisas”, explicou. “Nunca foi minha intenção causar problemas, mas um pouco do meu comportamento era visto como agressivo, enquanto que, se fosse um homem, teria sido considerado assertivo. Quando, na verdade, eu não estava fazendo nada mais do que dizer ‘aqui estou’. Isto é o que sou.”

Clark admite que “tremeu” quando revelou publicamente seu diagnóstico.

“As pessoas me chamavam de corajosa, o que possivelmente destaca o perigo que parece existir para uma mulher com espectro autista”, disse.

“Mas senti que tinha de divulgar meu diagnóstico porque, de outra forma, estaria negando esta parte de mim e também uma parte das minhas filhas.”

Depois de passar anos mascarando suas verdadeiras identidades, Clark, Locke, O’Leary e Rowe acreditam que é de vital importância que as mulheres com autismo parem de negar quem são.

Locke diz que decidiu falar sobre seu espectro autista porque sentiu que era importante “levantar e entrar na contagem” e dizer “nós existimos”.

“Minha grande esperança é diminuir o medo que as mulheres sentem em admitir que têm autismo”, disse. “Porque a pior coisa é sofrer e não receber nenhuma ajuda.”

O’Leary acrescentou: “Esta é a razão pela qual precisamos mais do que a conscientização sobre o autismo; precisamos de aceitação”.


“Quando a sociedade como um todo aceitar as mulheres com autismo como elas são, então todas poderemos ser nós mesmas. Podemos ter orgulho de ser autistas.”
Fonte:http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/estereotipos-impedem-que-mulheres-com-autismo-se-revelem/

Autismo pode estar associado à poluição atmosférica

Descoberta foi constatada através de estudo americano

A Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, realizou um novo estudo sobre efeitos da poluição, constatando que partículas finas de poluição do ar durante a gravidez até os dois primeiros anos da infância pode estar ligada ao desenvolvimento de transtorno do espectro do autismo (ASD). 

O estudo, realizado por pesquisadores, da Escola de Saúde Pública da universidade foi desenvolvido com base na população e com controle de caso das famílias que vivem no sudoeste da Pensilvânia, sendo avaliadas crianças portadoras e não portadoras de autismo. Foi criada uma estimativa da exposição dessas crianças a determinadas categorias de poluição do ar com base nos locais que suas mães viviam antes, durante e após a gravidez. 

As evidências de uma associação entre a má qualidade do ar em Pittsburgh e problemas de saúde foram bem acentuadas. Em especial, os transtornos que afetam as crianças, incluindo o do espectro autista e a asma. No entanto, tal resultado, não comprova a causalidade e tão somente, a associação. 

Um outro estudo, realizado em 2014, descobriu que mulheres gestantes podem quase dobrar o risco de dar à luz uma criança com autismo por inalação da fumaça que é expelida pelos veículos ou chaminés. O que veio a comprovar pesquisas anteriores que estabeleceram relação entre o autismo e a poluição do ar. Essas pesquisas mostraram que mulheres em seu terceiro trimestre de gestação apresentaram mais vulnerabilidade à doença quando respiraram níveis elevados de partículas transportadas pelo ar e emitidas por usinas de energia, automóveis e incêndios.

Fonte: http://bemstar.globo.com/index.php?modulo=corpoevida_mat&url_id=6030

Pesquisa revela que garrafas de plástico podem causar diabetes, autismo e até câncer


Um estudo publicado pela revista médica The Lancet Diabetes & Endocrinology nos Estados Unidos trouxe um sinal de alerta para os consumidores de produtos conservados em embalagens plásticas. Os pesquisadores chegaram à conclusão que os alimentos contaminados pelo plástico podem perturbar o sistema endócrino levando a consequências de saúde diversas, como diabetes, austismo, transtorno de déficit de atenção e até câncer.
Os chamados desreguladores endócrinos são encontrados em milhares de produtos de uso diário, desde embalagens de alimentos feitos de plástico, garrafas de detergente, brinquedos e até cosméticos.
Substâncias como Bisfenol A, utilizado na produção das embalagens plásticas, estão no centro das discussões. Apenas nos Estados Unidos, mais de US$ 50 bilhões foram gastos com danos à saúde da população devido à contaminação pela substância, em 2015. Um estudo similar realizado na União Europeia, foram gastos US$ 271 bilhões no mesmo período, cerca de 1,28% do PIB da região.



Tamanho do cérebro do bebê pode indicar se criança terá autismo, diz estudo


Medir o tamanho do cérebro de bebês é uma forma precisa de saber se eles vão desenvolver autismo ou não, sugere estudo da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Os cientistas perceberam que as medidas da circunferência da cabeça e o volume longitudinal do cérebro de crianças que recebem o diagnóstico de autismo aos dois anos de idade são, já no primeiro ano de vida, maiores do que as de crianças que não desenvolvem o distúrbio. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (15) na revista Nature.

Cerca de 1% da população mundial, ou um em cada 68 indivíduos, apresenta algum transtorno do espectro do autismo. 
Heather Hazlett e seus colegas conduziram a pesquisa com 106 crianças que tinham um irmão mais velho com diagnóstico de autismo, o que as torna com alto risco de desenvolver a doença. Também avaliaram as imagens cerebrais de outras 42 crianças com baixo risco, ou seja, sem histórico imediato de autismo na família.

Ao analisarem imagens realizadas entre 6 e 24 meses de idade, os autores encontraram uma taxa de crescimento aumentado do cérebro nas crianças de alto risco que depois foram diagnosticadas com autismo em comparação às crianças com baixo risco e as de alto risco que não foram diagnosticadas com autismo.
Eles também descobriram que essas mudanças no volume cerebral estão associadas a déficits sociais que começam no segundo ano. Os autores usaram um algoritmo que consegue prever com boa precisão quais bebês no grupo de alto risco serão diagnosticados com autismo aos 2 anos. 

Mais estudos são necessários para uso clínico
Para que o método possa ser usado por médicos no dia a dia, os cientistas sugerem que sejam feitas mais pesquisas com maior número de crianças. 

O volume aumentado do cérebro já havia sido observado em crianças com autismo, mas o desenvolvimento dessas mudanças e outras relações com sintomas comportamentais ainda não estão claros. Os pesquisadores ressaltam que ainda não foi possível saber se as mudanças no cérebro são específicas do autismo ou se podem se sobrepor a outros distúrbios do desenvolvimento neurológico.

Nos últimos anos, a pesquisa sobre o autismo tem atraído interesse dos cientistas. Em 2014, um estudo publicado na revista Neuron por pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Columbia revelou que os autistas têm mais sinapses (conexões entre neurônios) do que de crianças não autistas, o que poderia talvez explicar a sensibilidade aumentada para o toque e audição.


Em 2015, graças a exames de imagem, cientistas da Universidade de Warwick, no Reino Unido, identificaram diferenças no cérebro de autistas associadas às áreas responsáveis pela capacidade de entender as emoções de outras pessoas e ter empatia.
Fonte:https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2017/02/15/tamanho-do-cerebro-do-bebe-pode-dizer-se-crianca-tera-autismo-diz-estudo.htm

02 fevereiro 2017

ESTUDO REVELA EM QUAL IDADE HÁ RISCO DE TER FILHOS COM AUTISMO

Pais com grandes diferenças de idade e mães adolescentes têm um número surpreendente de filhos com o transtorno do autismo. A revelação é de um estudo divulgado nesta terça (9) pela instituição “Autism Speaks”, a maior multinacional em estudos sobre autismo. 

O autismo é um transtorno que geralmente se manifesta na primeira infância e afeta a interação social, a comunicação e geralmente vem acompanhado de algum grau de deficiência mental. O autismo atinge mais meninos do que meninas, devido à quantidade de mutações genéticas que o cérebro delas pode suportar, de acordo com pesquisas de cientistas suecos e americanos.

O presente estudo da Autism Speaks também confirmou que pessoas mais velhas têm grandes chances de gerarem filhos autistas. A pesquisa foi feita com cerca de 6 milhões de crianças, em cinco países. “Esse estudo é diferente de todos os outros”, declarou o co-autor da pesquisa, Michael Rosanoff. “Fazendo a ligação entre registros de saúde em cinco países, nós criamos o maior banco de dados do mundo na pesquisa de fatores que aumentam o risco de autismo”, completou.

No entanto, Rosanoff alerta que não é preciso alarde: “Apesar de a idade dos pais ser importante, a maioria das crianças nascidas de pais muito novos ou mais velhos, vai se desenvolver normalmente”, adicionou o autor da pesquisa, Sven Sandin.

Apesar de estudos anteriores já terem identificado uma ligação entre idade avançada nos pais, muitos aspectos disso ainda permanecem sem resposta. Um exemplo disso é que alguns estudos revelaram que esse risco aumenta quando os pais são mais velhos, mas não as mães.

Em seu trabalho, pesquisadores buscaram identificar quais fatores contribuiriam mais para a síndrome. “Calculamos qual aspecto era o mais importante. Acabou sendo a idade dos pais, apesar de diferenças grandes entre um e outro também serem significantes”, afirmou.

O autismo ocorre com cerca de 66% das crianças de pais com mais de 50, número que aumenta em 28%, para adolescentes. “Nesse estudo, mostramos pela primeira vez o que é o risco de autismo, ao invés de recorrer aos métodos convencionais”, disseram os pesquisadores.
Fonte:http://www.tribunapr.com.br/arquivo/mulher/estudo-revela-em-qual-idade-ha-risco-de-ter-filhos-com-autismo/

Bebê prematuro tem mais chance de desenvolver autismo

Bebês prematuros podem alterar a conectividade entre diferentes partes do cérebro, o que pode aumentar o risco da criança ter autismo e problemas de atenção
Garoto com autismo: pesquisas anteriores já tinham observado que o autismo e os problemas de concentração são mais frequentes em crianças prematuras (Jean-Philippe Ksiazek/AFP)


Washington – Os nascimentos prematuros podem alterar a conectividade entre diferentes partes do cérebro, o que pode aumentar o risco da criança desenvolver autismo e problemas de atenção, segundo um estudo britânico publicado nesta segunda-feira nos Estados Unidos.

Pesquisas anteriores já tinham observado que o autismo e os problemas de concentração são mais frequentes em crianças prematuras.

Pesquisadores do King’s College de Londres utilizaram uma ressonância magnética para examinar as conexões específicas dos cérebros de 66 crianças, das quais 47 nasceram antes da 33ª semana de gestação, enquanto outras 19 nasceram no tempo previsto.

Os autores se concentraram nas conexões entre o tálamo, o centro de reflexos emocionais, e o córtex, a matéria cinzenta que rodeia os hemisférios cerebrais e que tem um papel fundamental em muitas funções cognitivas.

Os cientistas constataram que os bebês nascidos entre as 37ª e a 42ª semanas, que é o período normal de gestação, tinham estruturas sabidamente similares às dos adultos em algumas partes do cérebro, o que confirma que as conexões estavam bem desenvolvidas no momento do nascimento.

Ao contrário, nos prematuros, os especialistas observaram menos conexões cerebrais entre o tálamo e o córtex, porém mais conexões com uma zona particular do córtex que está envolvida no processamento de sinais faciais, dos lábios, a mandíbula, a língua e a garganta.

Isto poderia explicar porque os bebês prematuros que são amamentados ou alimentados com mamadeira aprendem a fazê-lo antes que as crianças nascidas a termo.

Mas a menor conectividade na região do córtex envolvida nas capacidades cognitivas pode estar relacionada com o fato de estas crianças terem mais probabilidades de sofrer de problemas de concentração e de socialização, segundo os pesquisadores.


“A próxima etapa na nossa pesquisa será compreender o vínculo entre estas observações e as dificuldades de aprendizado, concentração ou socialização”, comentou Hilary Toulmin, do centro de desenvolvimento cerebral do King’s College e principal autora do estudo publicado na academia americana de ciências (PNAS).

Fonte:http://exame.abril.com.br/ciencia/bebe-prematuro-tem-mais-chance-de-desenvolver-autismo/

Novo estudo reforça que não há vínculo entre vacina e autismo

Um novo estudo norte-americano descartou a existência de vínculos entre o autismo e a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR), mesmo entre crianças de alto risco, de acordo com uma pesquisa publicado no Journal of the American Medical Association.


Dos 95 mil jovens analisados, todos tinham irmãos mais velhos e destes, alguns foram identificados com autismo. Após o levantamento dessa informação, os pesquisadores decidiram examinar também se as vacinas podem influenciar o desenvolvimento do transtorno em crianças com irmãos autistas.

Anjali Jain, médico em Falls Church, Estados Unidos, afirma que as pesquisas não observaram relações entre a vacina MMR e o aumento do risco de desenvolver autismo, com ou sem irmão na família diagnosticado com o problema.

O autismo está em ascensão, e afeta uma em cada 68 crianças nos Estados Unidos, mas suas causas ainda são pouco compreendidas.

Rumores sobre a relação entre vacinas e autismo começaram a se espalhar após a publicação, em 1998, de um artigo de Andrew Wakefield que pretendia encontrar uma ligação entre a vacina MMR e o autismo em 12 crianças. Mais tarde, o artigo foi considerado fraudulento e recolhido pela revista que o publicou. A Grã-Bretanha também retirou a licença médica de Andrew Wakefield. Mesmo assim, as preocupações sobre a segurança da vacina têm se demostrado difícil de dominar.

De acordo com o estudo, apesar de um volume substancial de pesquisas ao longo dos últimos 15 anos não ter encontrado nenhuma relação entre a vacina MMR e o autismo, pais e outras pessoas continuam a fazer essa associação. Pesquisas de pais que têm filhos com o transtorno sugerem que muitos acreditam que a vacina tenha sido um fator contribuinte.

As pesquisas ainda levantaram dados que afirmam que as crianças que têm um irmão mais velho com autismo são menos propensas a se vacinar. Além disso, os resultados chegaram à conclusão de que a taxa de vacinação contra sarampo, para as crianças com irmãos não afetados, foi de 92% até os cinco anos de idade. Esse número contrasta com as taxas de vacinação da MMR, para crianças com irmãos autistas, que foi de 86% aos cinco anos de idade.

— No seu conjunto, dezenas de estudos demonstraram que a idade de manifestação do autismo não difere entre as crianças vacinadas e não vacinadas, assim como a gravidade ou o desenvolvimento do transtorno e o risco de recorrência dele nas famílias — disse Bryan King, médico da Universidade de Washington e do Hospital Infantil de Seattle, ao enfatizar a clareza dos dados apresentados pela pesquisa.