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16 julho 2012

Bancos de cérebros para estudo do autismo enfrentam escassez de amostras


Clare True sofria de autismo e convulsões periódicas, mas sua família de modo algum estava pronta para a véspera de Natal de 2006, quando a moça, então com 26 anos, foi para a cama depois de assistir a um filme e parou de respirar.
"Eu cheguei em casa de uma festa, fui ver como ela estava logo depois da meia-noite e ela não reagia", disse sua mãe, Jane True.
Os paramédicos tentaram reanimar a jovem, então a levaram imediatamente ao hospital, e em algum lugar em meio à tempestade da correria e da tristeza, o casal True, Jane e seu marido, Jim, consideraram a doação de órgãos.
"Pensei no cérebro dela como um presente", disse a mãe. "A ideia de que os cientistas estariam aprendendo com ela por anos e anos – isso não tem preço."
O cérebro de Clare True era um dos 150 espécimes armazenados em um banco de cérebros da Universidade Harvard que foi destruído por causa de uma falha no congelador, reconheceram os médicos neste mês. A perda, embora seja um revés para os cientistas que estudam doenças como o mal de Huntington, Alzheimer e esquizofrenia, deixou mortificados especialmente aqueles que trabalham com o autismo, pois expôs o que tem se mostrado o maior obstáculo ao progresso das pesquisas relacionadas à doença: a escassez de cérebros autopsiados de alta qualidade de jovens com uma história médica bem documentada.
O problema operacional do congelador reduziu em um terço a coleção de cérebros congelados para o estudo do autismo da Universidade Harvard, a maior coleção do mundo. Um banco mantido pela Universidade de Maryland tem 52 cérebros, e há pequenos conjuntos em outro lugar. Ao todo, eles são poucos e preciosos em função das crescentes exigências das pesquisas. A perda ocorrida no Centro de Recursos de Tecido Cerebral de Harvard torna as doações feitas por pais como o casal True ainda mais urgentes.
"Simplesmente não há dúvida de que o tecido humano é o padrão de excelência para a pesquisa", disse o Dr. Gerald D. Fischbach, professor emérito da Universidade Columbia e diretor de ciências da vida da Fundação Simons, que promove a pesquisa do autismo. "É absolutamente necessário responder algumas perguntas muito básicas."
O fiasco de Harvard, relatado pela primeira vez pelo Boston Globe, estimulou iniciativas de grupos de apoio que entram em contato com famílias que podem doar, disse Alison Singer, presidente da Fundação de Ciência do Autismo.
"Eu fiz telefonemas assim que eu soube o que aconteceu", disse ela.
Para Geraldine Dawson, diretora científica do Autism Speaks – o grupo que administra as doações de cérebros para fins de pesquisa do autismo no banco de Harvard – e professora de psiquiatria da Universidade da Carolina do Norte, "isso realmente é um retrocesso, mas nos motivou mais do que nunca para reconstruir esse recurso precioso".
Jane True, que vive em Kansas City, Missouri, soube a respeito da doação de cérebros por meio de seu trabalho em uma organização de apoio que hoje se chama Aliança DUP15q e auxilia pais de jovens que, como Clare, têm uma falha genética no cromossomo 15 que causa uma pequena porcentagem de casos de autismo (e frequentemente está associada a convulsões).
Ao contrário do Alzheimer ou outros problemas neurológicos relacionados ao envelhecimento, os transtornos ligados ao autismo se desenvolvem cedo, e o cérebro de crianças e adultos jovens com autismo são mais úteis para os pesquisadores. Os jovens, porém, geralmente não morrem nos hospitais. Eles muitas vezes falecem em acidentes: afogamentos, quedas e acidentes de carro.
"O maior desafio é fazer com que os pais imaginem algo em que eles simplesmente não querem pensar", disse Kadi Luchsinger, de Syracuse, Nova York, que coordena a doação de tecidos para a Aliança DUP15q. "É o tipo de decisão que nunca queremos ter que tomar."
Mas o casal True tomou essa decisão e teve que agir rápido. A causa da crise de sua filha era desconhecida e provavelmente não resultou das convulsões ou do autismo, disse sua mãe. Enquanto Clare, ligada a aparelhos, era atendida no hospital e os médicos tentavam reanimá-la, Jane True, o marido e os dois irmãos de Clare aguardavam na sala de espera.
"Não sei porque o assunto ainda seria motivo de discussão. Nós perdemos outra filha anos antes e decidimos doar os órgãos", contou True. "Seria a vontade da Clare. Ela estava sempre disposta a doar sangue."
Algum tempo após as 2 horas da manhã, True telefonou para uma linha direta do programa de doação de tecidos para pesquisas sobre o autismo, e a equipe da organização começou a trabalhar. O corpo foi rapidamente transferido para o Centro Médico da Universidade de Kansas.
Entre 7 e 8 da manhã, os especialistas do centro removeram o cérebro do jovem e o congelaram imediatamente. Ele foi enviado durante a noite em uma caixa com gelo seco para o banco de Harvard, que está alojado no Hospital McLean, em Belmont, Massachusetts
No Hospital McLean, como em outros bancos de cérebros, os médicos geralmente separam os dois hemisférios cerebrais e congelam apenas a metade. A outra metade é preservada em um produto químico chamado formalina. Esse foi o caso de todos, com exceção de um dos 53 espécimes que foram destruídos no McLean, contou Dawson; cada hemisfério congelado que se descongelou tem uma outra metade preservada em formalina que ainda é útil para as pesquisas.
Mas a formalina, embora preserve o tecido, também altera as proteínas, diminuindo o rendimento das amostras de material para a pesquisa da chamada expressão genética.
Hoje, os cientistas sabem que alguns genes estão ligados a uma pequena porcentagem dos casos de autismo, mas precisam de tecido humano para compreender exatamente onde no cérebro – e em que fase do desenvolvimento – os genes se expressam, disse Fischbach.
"Já tivemos que transferir dois projetos de pesquisa" que dependiam das amostras congeladas, disse ele.
A chegada de um órgão em um banco de tecidos é apenas o começo de um longo processo, disse Ronald H. Zielke, professor de Pediatria que dirige o Instituto Nacional de Saúde do Cérebro e Banco de Tecidos para Distúrbios do Desenvolvimento, da Universidade de Maryland.
"Precisamos fazer entrevistas extensas com os pais para coletar informações sobre o estado psicológico da pessoa", disse ele. "Não é sempre fácil, e esse processo pode demorar pelo menos um ano."
Alguns cérebros são perdidos no processo de manuseio. Outros rendem pouco como materiais de pesquisa caso se passem mais de 24 horas antes do congelamento; o tecido cerebral se deteriora rapidamente à temperatura ambiente. Além disso, em outros casos, não fica claro, por meio de documentos e entrevistas, se o jovem tinha autismo.
Em um ano comum, o banco de Maryland adquire quatro a oito doações viáveis, disse Zielke. O projeto Autism Speaks obteve uma média de menos de 10 novos espécimes por ano, disse o Dr. Eric London, que fundou o programa e lidera pesquisas de tratamento do autismo no Instituto de Pesquisa Básica do estado de Nova York. "Quando começamos a pensar em nos dedicar a isso, éramos muito mais reticentes a respeito", disse Londres. "Não queremos assustar os pais e fazer com que eles fujam."
Eles estão menos reticentes agora. Dezenas de pais colaboraram, conseguindo agir apesar de sua perda repentina. Nos últimos anos, 13 famílias doaram cérebros por meio do grupo que Luchsinger dirige.
A maioria dos pais quer receber notícias dos cientistas mais tarde, e recebe. A Autism Speaks e a Aliança DUP15q defendem que os doadores sejam informados sobre como o tecido está sendo usado – e que os pesquisadores telefonem para os pais para responder e fazer perguntas.
Nos últimos anos, contou True, o cérebro de sua filha ajudou pesquisadores da Universidade de Nova York e outros lugares a estudarem transtornos convulsivos, entre outros assuntos.
Neste mês, ela recebeu um outro tipo de notícia. Ela soube que o cérebro de Clare – que um dia memorizou tantas frases de filmes favoritos e letras de músicas, que a moça sempre cantou muito bem – tinha sido comprometido. O Autism Speaks informou todas as famílias de doadores logo após a falha no congelador ser descoberta.
"Eles disseram que queriam nos contar antes que a notícia saísse na mídia", contou True. "Acho que senti que se ela pôde ajudar com as pesquisas durante cinco anos, isso só me fez ver como a doação foi algo importante, dado o pouco que eles sabem sobre esses transtornos."
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fonte:http://mobile.br.msn.com/device/nyt/article.aspx?cp-documentid=250015239

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