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05 abril 2012

Desenvolvimento e tratamento do Willian


Ele nasceu normal sem aparentar nada fisicamente nem psicologicamente mas quando estava com 2 anos e 5 meses da noite para o dia ficou assim sem falar parou de falar e regrediu tudo no que desenvolveu consegui descobri depois de um ano de buscas em médicos foi diagnosticado autismo moderado para grave, com 4 anos consegui a vaga para ele na Apae e começaram os acompanhamentos lá e eu cuidando em casa no primeiro ano foi o mais difícil pois ele não comia, não aceitava o que a professora pedia e tomava só o risperidona em gotas mas não via resultados mas não desisti e continuei dando pois  segundo pesquisas o risperidona  como tratamento continuo são muitas chances de cura depois foi adicionado o Atencina o neuleptil e no ano passado o carbonato de litio onde este por último é o que tenho visto surtir melhor efeito e o risperidona hoje dou em cápsulas. E também vi progresso quanto a atenção dele ele era quase nada ele não se comportava agora está muito bem um dos desafios maiores para mim de lá para cá foi que, além da agressividade de se morder de não se socializar  de agredir-se ou agredir os outros por não gostar de algo e situações de rotina que se mudava a rotina ele ficava mal mesmo se jogava no chão colocava as mão nos ouvido e gritava tanto em ônibus em lugares diferentes igrejas, mercados e dai por diante ele fugia não tinha noção do perigo não dormia no começo, gritava muito ainda grita um pouco, mas ele melhorou muito, e não comia comida como arroz e feijão legumes e verduras, era tudo alimento solto seco ou frito ou assado e geralmente produtos de mesma marca se mudasse a marca rejeitava e agora está aceitando comer arroz e feijão e na questão da rotina se sai um pouco da rotina  está aceitando um pouco.
Posso dizer que de tanta aflição que passei hoje está bem menos do que sofri com ele isso por que perseverei na questão de está lendo tudo o que me fosse disponível sobre o autismo e procurando fazer o que a professora do Willian me pedia ou a médica pedia para eu fazer digo que valeu a pena.
No começo fica tudo muito difícil pois é um começo delicado em que se tem que ter firmeza buscar conhecimento ter fé, não ficar nervosa e conhecendo sobre o autismo conhecemos  nossos filhos pois quando houver uma situação difícil através de certo conhecimento sobre o autismo podemos nos dar bem em várias adversidades que podemos estar passando com eles e nesta parte mais importante sendo um surto que der neles mantermos a calma e passarmos esta calma para eles pois conhecendo o problema, ficamos calmo mesmo em toda a adversidade que houver digo isso quando o autismo é grave pois foi o que passei com ele. bom tentei resumir mais ou menos a história do Willian espero que ajude abraçosss.

01 abril 2012

Projeto nacional está em debate


No próximo dia 2 comemora-se mundialmente o dia de conscientização do autismo. Para lembrar a data, a vereadora Ana Maria de Hollebem (PT) protocolou na Câmara de Vereadores um projeto que estabelece em Ponta Grossa a Política Municipal de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. O projeto aguarda o parecer das comissões, e a vereadora pediu urgência no trâmite para aprovação da lei até o dia 2, segunda-feira, dia de sessão na Câmara.
De acordo com a vereadora, este projeto está sendo elaborada em âmbito nacional e para isso ela contou com a ajuda da diretora administrativa da Associação em Defesa dos Autistas, Berenice Piana, que esteve no município para discutir o tema, além de pais e amigos de autistas. Berenice vem pedindo apoio para a aprovação do projeto de Lei 1631/11, do Senado, para instituir a mesma lei no Brasil. Hoje, em todo país, são dois milhões de brasileiros com a síndrome e as estatísticas atuais apontam que 1 a cada 130 crianças apresenta um dos transtornos do espectro da doença. “Nós precisamos que o maior número possível de municípios tenha esta lei, o Estado já está se preparando para isso, e é imprescindível que ela exista nacionalmente”, considera Ana.
FONTE:http://www.jmnews.com.br/noticias/ponta%20grossa/1,19582,31,03,projeto-nacional-esta-em-debate.shtml

Dia Mundial de Conscientização amplia debate sobre autismo


 - O Dia Mundial para a Conscientização sobre o Autismo foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em dezembro de 2007, que definiu a data de 2 de abril como marco da mobilização mundial para mostrar que há pessoas um pouco diferentes das outras, mas que, na sua essência, são tão humanas quanto todos.
O autismo é resultado de um complexo distúrbio neurobiológico, de causas múltiplas e desconhecidas, que afeta o funcionamento do cérebro, com implicações negativas diretas no desenvolvimento das áreas de interação social, habilidades de comunicação e comportamento. Embora ainda não se saiba o porquê, o autismo atinge mais as crianças do sexo masculino, na proporção de quatro meninos para cada menina.
Segundo dados da ONU, o distúrbio atinge cerca de 70 milhões de pessoas. No Brasil são dois milhões, sendo que pelo menos a metade não tem diagnóstico.
A idéia de uma data que alertasse o mundo partiu da constatação de que o autismo nas crianças é mais comum que câncer, diabetes e AIDS juntos. Porém, apesar da sua amplitude e gravidade, o autismo é desconhecido para muitos. Dessa forma o Dia Mundial de Conscientização busca esclarecer e disseminar informações sobre a importância do diagnóstico e do tratamento precoce.
Não há cura para o autismo, mas existem vários tratamentos que ajudam muito, envolvendo fonoaudiologia, terapia ocupacional e educacional e psicoterapia comportamental, basicamente. 
Todo o esforço que se faz é para que o distúrbio seja diagnosticado o quanto antes. A identificação precoce pode significar o início de uma atenção especializada mais cedo, o que ira se traduzir em uma interação social maior no futuro dessas crianças.
De modo geral a medicina e a ciência sabem pouco sobre este distúrbio, descrito pela primeira vez em 1943 e incluído na classificação internacional de doenças da Organização Mundial de Saúde em 1993.
Sabe-se, porém, que o distúrbio tem graus variáveis. Há os mais severos, nos quais muitos pacientes não falam e apresentam elevada agitação e agressividade. Existe ainda o autismo de alta funcionalidade. Nesses casos, os portadores aprendem a ler e têm boa capacidade intelectual, mas manifestam limitações motoras e de socialização.
E há os diagnosticados com a Síndrome de Asperger, um tipo leve de autismo, que indivíduos que possuem muita dificuldade na relação social, mas não apresentam atraso no desenvolvimento da cognição. Muitos até se destacam pela inteligência em áreas relacionadas à arte e às ciências exatas. A Síndrome de Asperger é atribuída a gênios como Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Mozart e Einsten. 
Um mito que se criou é que o autista vive em seu “próprio mundo”. Isso não é verdade. O que ocorre é que a pessoa com autismo tem dificuldades para se comunicar e interagir e, por isso, tende a se manter isolada.
Fazer com que a sociedade como um todo perceba essa diferença e se abra para aceitar o autista no “nosso mundo”, com o respeito e cuidados que merece, é o objetivo maior do Dia Mundial para a Conscientização sobre o Autismo.
Esperando a lei
Números aceitos pela comunidade científica internacional, apontam para a existência de um autista para 110 pessoas no planeta, o que comprova que a síndrome não é tão rara como se imagina. São números alarmantes que deveriam colocar o autismo entre as prioridades nas políticas de saúde pública.
Em junho de 2011 o Senado aprovou um projeto que garante no Brasil os direitos e o atendimento dos autistas, que atualmente não contam com tratamento na rede pública de saúde. Para virar lei, porém, o projeto precisa ainda ser aprovado pela Câmara Federal, onde está parado. 
O autismo não é considerado uma deficiência física ou mental e, portanto, não se enquadra na maioria dos direitos já conquistados pelas pessoas com deficiência no país.
Fonte: www.revistaautismo.com.br



“O Dia da Consciencialização e Sensibilização para o Autismo traz uma
nova luz que ajuda a desenvolver e aumentar o conhecimento sobre este distúrbio, capacitando as famílias e fornecendo informação sobre a importância do diagnóstico e intervenção precoce”



O Brasil vai vestir-se de azul


O Brasil realizou em 2011 no ano passado o maior evento de sua história para marcar o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, com programações e manifestações nas capitais e principais cidades de todo o país. A idéia para este ano é ampliar a repercussão da data.
Assim como no ano passado, o 2 de abril de 2012 será marcado pela iluminação em azul de monumentos e grandes obras de engenharia como o Cristo Redentor no Rio de Janeiro, a Ponte Estaiada em São Paulo, a Usina do Gasômetro em Porto Alegre, o prédio do Congresso Nacional em Brasília e o Teatro Amazonas, em Manaus, entre outros.
O azul foi definido como a cor símbolo do autismo, porque a síndrome é mais comum nos meninos. A ideia é iluminar pontos importantes na cor azul para chamar a atenção da sociedade, poder falar sobre autismo e levantar a discussão a respeito dessa complexa síndrome.



O diagnóstico do autismo


Não existem testes ou exames médicos específicos para diagnosticar o autismo. Segundo especialistas, um diagnóstico preciso deve ser baseado na observação de comunicação do indivíduo, do comportamento e níveis de desenvolvimento.
No entanto, porque muitos dos comportamentos associados ao autismo são compartilhadas por outros transtornos, vários exames médicos podem ser utilizados para excluir ou identificar outras possíveis causas dos sintomas.
À primeira vista, algumas pessoas com autismo podem parecer ter retardo mental, distúrbio de comportamento, problemas de audição, ou até mesmo comportamento estranho ou excêntrico. Para complicar ainda mais, essas condições podem ocorrer com o autismo.
No entanto, é importante distinguir o autismo de outras condições, uma vez que um diagnóstico preciso e identificação precoce pode proporcionar a base para a construção de uma educação adequada e eficaz programa de tratamento. 
Uma breve observação em uma única configuração, não pode apresentar uma imagem fiel das habilidades de um indivíduo e comportamentos.


PRIMEIROS SINAIS


Os primeiros sinais que podem indicar que o bebê é autista é que ele é muito quieto, calmo e passivo, como se não houvesse um bebê em casa. Existe uma minoria que chora e grita o tempo inteiro sem parar e é difícil de consolar, mas este grupo é menor. 
A partir dos 10, 12 meses, outros indícios podem ser notados, quando a criança:
- Não balbucia, não fala palavras soltas e, mesmo com dois anos, não fala palavras
- Não brinca simbolicamente (com bonecos, de casinha, por exemplo)
- Tem pouco ou nenhum interesse em fazer amizades
- Tem dificuldade de manter a atenção
- É indiferente às pessoas, não responde quando chamada pelo nome
- Faz pouco ou nenhum contato de olhar
- Apresenta movimentos de corpo repetitivos, tais como balançar de mãos e de corpo
- Tem crises de birra” intensas
- Fixa o olhar em certos objetos, como ventiladores rodando
- Resiste à qualquer mudança nas rotinas
- Apresenta hipersensibilidade a certos sons, texturas ou odores.


Se a criança apresenta um comportamento que se encaixa nesta descrição, ela deverá ser levada a um profissional especializado. A avaliação de autismo deve ser feita por uma equipe de especialistas, a fim de orientar a família e definir o tratamento.



Autismo já rendeu Oscar no cinema




São muitas as produções que tratam o autismo no cinema. A mais conhecida delas pe o filme norte-americano “Rain Man”, de 1988 do diretor Barry Levinson, que no Brasil também foi chamado de “Encontro de Irmãos”.
Com Dustin Hoffman e Tom Cruise, o filme conta a história de um jovem bem sucedido que viaja a um hospital psiquiátrico para tentar descobrir quem é o beneficiário da fortuna deixada pelo pai. É aí que ele conhece o irmão mais velho autista, de quem nunca ouvira falar. Para garantir o dinheiro da herança ele se dispõe a brigar judicialmente pela guarda legal do irmão. Os dois então viajam pelo país, conhecendo-se, aprendendo a conviver e passando por inúmeras dificuldades. Aos poucos, o laço entre os dois irmãos ganha força e o dinheiro deixa de ser importante.
“Rain Man” ganhou quatro estatuetas no Oscar de 1989, vencendo as categorias Melhor Filme e Melhor Direção (Barry Levinson), Melhor Ator (Dustin Hoffman) e Melhor Roteiro Original.



OUTROS FILMES


Testemunha do silêncio – Uma criança autista é a única testemunha do brutal assassinato de seus pais. O filme mostra o trabalho de um psicólogo que busca acessar as memórias do garoto.
Meu filho, meu mundo – Conta a história dos pais que decidem penetrar no mundo do seu filho autista, acreditando que somente o milagre do amor poderá curá-lo.
Código para o inferno – Garoto autista decifra código secreto do governo norte-americano e se torna alvo de bandidos inescrupulosos e também de agentes do governo.
Loucos de amor – Comédia romântica inspirada na vidade de duas pessoas autistas, cujas disfunções emocionais ameaçam sabotar seu recém-iniciado romance.
O enigma das cartas – Criança autista se fecha ao saber da morte do pai. Um especialista vai tentar ajudá-la pelos métodos tradicionais, mas a mãe vai tentar de uma outra forma. 
Uma criança diferente – Vida da família vira de cabeça para baixo quando descobre que o filho é autista. O filme mostra as dificuldades de viver com uma criança afetada pelo distúrbio.
Um amigo inesperado - Kyle é um menino frágil que sofre de autismo. Seus pais fazem de tudo para tentar se comunicar com ele, até que um cachorro consegue criar uma relação com o menino que o ajudará a escapar do seu silêncio.
Uma familia especial – Mãe de sete filhos, quatro deles autistas, empreende uma luta determinada para ajudar seus filhos a ter uma vida feliz. O filme é baseado na história real da norte-americana Jackie Jackson. 
Ocean heaven – Pai que sofre de câncer e tem um filho autista, vive o drama de preparar o garoto para viver sem a sua ajuda e mesmo procurar alguem que olhe por seu filho após sua morte.
FONTE:http://www.ilustrado.com.br/2011/ExibeNoticia.aspx?Not=Dia%20Mundial%20de%20Conscientiza%C3%A7%C3%A3o%20amplia%20debate%20sobre%20autismo&NotID=21205

Do amor materno, a força para se associar junto a ciência e buscar respostas


A necessidade pela disseminação da informação foi crucial para criação da Ong.


O Regional: Como foi descobrir que sua filha era autista? Embora o diagnóstico tenha sido tardio, o coração de mãe te deu algum sinal de que havia algo errado com ela?


Paula Balducci de Oliveira: Desde o momento em que a colocaram em meus braços, nos seus primeiros minutos de vida, observei uma beleza exótica, diferente – palavra que me acompanha de alguma maneira há 24 anos. No entanto, não sabia como explicar e também não tinha coragem de me, ou a, expor. Havia algo de misterioso no desenvolvimento dela, que me intrigava, preocupava. Comecei conversando com meu marido, que achava estar tudo bem. E de certa maneira, tinha razão. Julia nasceu de parto normal, com quarenta semanas e cinco dias. Sustentou a cabeça antes dos três meses de vida, aos sete sentava sem apoio. Muito tempo depois, fiquei sabendo que “aquele” sentar, com os pés virados para fora, não era o adequado. Entretanto, naquela época, eu não sabia e vivia um misto de inquietação, medo e ao mesmo tempo, momentos de verdadeira alegria e satisfação, como quando, aos onze meses e três semanas, ela engatinhou e aos quatorze meses começou a andar. Não sabia, naquele tempo, que sua marcha não era adequada. Para equilibrar-se e ficar de pé, ela abria a base, com os pés virados totalmente para fora. As minhas apreensões e receios vinham também da falta de vínculo entre nós, era diferente de como costuma ser entre mães e seus bebês. Dei de mamar a ela até os sete meses, então, não conseguia compreender o fato de ela não preferir meu colo a qualquer outro. Fazia relatos e visitas periódicas ao pediatra, que sempre dizia: “cada criança tem seu tempo e que ela estava dentro da linha normal do desenvolvimento”. Porém nada explicava o fato de ela não manter contato visual. Ele insistia para que ela recebesse bastante estímulo. E eu acatei. Não a deixava em paz. Entre não fazer nada ou alguma coisa, estava sempre fazendo alguma coisa com alguém. Na maioria das vezes comigo. Meu ‘coração de mãe’, sem dúvida contribuiu, principalmente porque estava ávida e sedenta por ajuda, alguém que me dissesse o que deveria fazer. E isso fez com que eu tivesse ‘ouvidos para ouvir’ o alerta e apoio de um casal de parentes próximos e queridos, que me ajudaram não só a enfrentar ‘esse jeitinho de ser diferente’, mas também a buscar um caminho. A eles sou e serei eterna e profundamente grata.


Antes dos quinze meses, Julia fazia fisioterapia três vezes por semana, hidroterapia duas, iniciou sessões de fonoaudiologia e terapia ocupacional. Eu a matriculei no maternal de um Jardim de Infância, para que ela tivesse contato com mais crianças. Aos cinco anos já estava alfabetizada e revelou-se uma leitora voraz, hábito que perdura até hoje. Aos sete anos, começou a fazer teatro e, como não tinha mais horário livre durante a semana, passou a fazer aulas aos sábados pela manhã, durante dez anos. Foi muito bom e acredito que tenha contribuído muito para melhorar sua comunicação e sociabilidade.


O Regional: Como é a Júlia hoje?


Paula Balducci de Oliveira: É extremamente culta, adora história e é fluente em inglês, entende bem italiano e de uns tempos para cá interessou-se e começou a ter aulas de francês.  Sempre frequentou escolas normais e na época do vestibular, entrou em cinco faculdades. Prestou exames em cinema e história, mas acabou optando por cinema. Formou-se no ano passado e agora está fazendo um curso de especialização em produção cultural. Mas gosta mesmo de efeitos especiais e animação, área ainda muito pouco desenvolvida no Brasil. Julia foi diagnosticada com Síndrome de Asperger. Dentro do espectro, é considerado o mais leve e os “Aspies”, como são chamados, não apresentam problemas cognitivos. Distinguem-se, por apresentar inteligência média ou superior.  Atualmente minha filha, em momentos cada vez mais raros, está Aspie. É um caso de auto-superação. Muito provavelmente pela intervenção precoce. Embora ela só tenha tido o diagnóstico aos vinte anos de idade, ela começou a receber estímulos antes de completar um ano de vida. Julia é doce, meiga, verdadeira, leal, com um senso de valor e moral  admirável. Ela gosta de estar em contato e tem vida social bem ativa, principalmente dentro de suas áreas de interesse. Prefere uma boa conversa sobre cinema a uma balada e já tem seu próprio rol de amigos. Agora começou a tornar-se mais vaidosa e interessar-se por relacionamentos com o sexo oposto. Ela tem senso de humor aguçado, é sagaz  e acredite, orgulha se do fato de ser “aspie”. Depois que leu sobre a vida de Temple Grandin (autista que inventou a máquina do abraço), costuma dizer que ela (Júlia), pode ser “diferente, mas não menos”. A intervenção, conforme eles mudam de fase, muda também, indo mais de encontro as suas habilidades e talentos. Mas ginástica, pilates e fono (com outro tipo de enfoque), continuam.


O Regional: Como surgiu a ONG Autismo e Realidade? A dificuldade e acesso a informação fizeram parte dos fatores na busca por ajudar outras famílias?


Paula Balducci de Oliveira: A Autismo e Realidade foi formada no ano de 2010 por pais e profissionais, liderados pelo médico de nossos filhos, Prof.Dr. Marcos Tomanik Mercadante, que veio a falecer uma semana antes de a Autismo&Realidade completar um ano de existência. A Autismo&Realidade tem como objetivo aprofundar e divulgar conhecimento atualizado sobre o Autismo, com campanhas e atividades direcionadas a motivar e orientar as famílias na sua busca por diagnóstico correto, tratamento, educação e inclusão social da pessoa com autismo. Luta para eliminar preconceitos, despertar interesse e boa vontade da sociedade brasileira, apoiar a formação e capacitação de profissionais e instituições para trabalhar pela pessoa com autismo, investir em pesquisas e agir para que os direitos legais das pessoas com Autismo se apliquem corretamente. A Autismo&Realidade atende a todas as pessoas do espectro autista, seus familiares, profissionais e entidades que necessitem de informações e conhecimento. 


O Regional: Onde estão os autistas? Há muito o que se descobrir sobre o Autismo? 


Paula Balducci de Oliveira: A maioria dos autistas está em suas casas, sem o diagnóstico e sem intervenção adequada. Faltam instituições e profissionais capacitados para diagnosticar e trabalhar com as pessoas com autismo e orientar suas famílias. E principalmente informações adequadas para a população, sem falar das escolas, que também não estão preparadas para trabalhar com crianças portadoras de autismo.


Diante desse cenário ainda muito novo e sem muitas informações precisas é que surge e ganha força a  Autismo&Realidade, 


O Regional: Existe no Brasil um levantamento que aponte o número de pessoas portadoras do Autismo, assim como uma política de saúde pública?


Paula Balducci de Oliveira: Hoje, nos Estados Unidos, estima-se que uma em cada 110 crianças é diagnosticada com autismo, fazendo com que o autismo seja mais comum que o câncer infantil, o diabetes juvenil e a AIDS pediátrica juntos. Milhões de pessoas no mundo sofrem de autismo. Estatísticas governamentais sugerem que a prevalência do autismo esteja aumentando de 10 a 17% ao ano. Não há explicação estabelecida para este aumento, mas a melhora dos métodos de diagnóstico e as influências ambientais são duas causas possíveis. Os estudos sugerem que meninos são mais susceptíveis a desenvolverem o autismo que meninas, sendo o diagnóstico entre eles de três a quatro vezes mais freqüente. As estimativas atuais indicam que, somente nos EUA, um em cada 70 meninos é diagnosticado com autismo. O único estudo epidemiológico sobre autismo no Brasil, estimou que 0,3% da população de uma pequena cidade teria algum tipo de transtorno do espectro do autismo. Segundo essa pesquisa, haveria hoje no Brasil pelo menos 570 mil pessoas com TEA.  Mas em estatística, quando a amostragem é muito pequena, não demonstra a realidade. Apesar de essa pesquisa ter sido muito bem feita, sabemos que o índice de prevalência é muito maior que o encontrado. Estima-se que no Brasil haja 2 milhões de pessoas dentro do espectro autístico. Não há política de saúde pública  para Autismo no Brasil.


O Regional: Hoje o Autismo ainda enfrenta alguns tabus estabelecidos pela sociedade e a 'ignorância' por parte da ciência e de muitos médicos no diagnóstico precoce. O diagnóstico precoce pode mudar o futuro do autista? 


Paula Balducci de Oliveira: Muitas vezes as preocupações dos pais nem sempre são valorizadas por seus médicos e o diagnóstico acaba sendo tardio. Um dos objetivos da Autismo&Realidade é estimular o diagnóstico precoce através da conscientização da sociedade em geral, pais, médicos, para que o diagnóstico seja feito o mais cedo possível. Está comprovada a elasticidade do cérebro até os três anos de vida Com o diagnóstico e intervenção dentro desse prazo, podem ocorrer melhoras fundamentais e a criança “andar” dentro do espectro, passando de muito grave a médio e assim por diante. Mas mesmo o diagnóstico sendo feito após essa idade, deve-se fazer intervenção, SEMPRE. Embora o ideal seja que do nascimento até pelo menos os 36 meses de vida, toda criança seja testada durante as visitas de rotina ao pediatra, para ver se atingiu os marcos de desenvolvimento previstos para aquela idade. Se surgirem dúvidas, o médico deve encaminhá-la para intervenção ou para um especialista que faça uma avaliação mais completa do seu desenvolvimento. A intervenção precoce pode fazer uma diferença extraordinária. Por exemplo, uma criança com nove, dez meses de idade que não acompanhe o movimento do adulto quando aponta a lua, ou qualquer outro objeto, que não faça essa “triangulação” entre o olhar e o gesto de quem aponta para o que se é apontado, deveria receber como que um carimbo. Não quer dizer que  tenha TEA, mas vale uma consulta ao especialista.


O Regional:Quantas famílias são auxiliadas e orientadas? A procura pela ONG vem de diversas partes do estado, quiçá do Brasil?


Paula Balducci de Oliveira: A ONG foi fundada no dia 9 de julho de 2010. Atende a todo o Brasil através do site. Os números apontam em um ano e três meses 80 mil acessos, quase 200 por dia. Este número tende a aumentar nessa época com as Caminhadas e Campanhas de divulgação. Calculamos por volta de 10 mil pessoas presentes em nossos eventos realizados até agora, além de e-mails recebidos diariamente de diversos Estados do Brasil. Nesta última semana, nosso site caiu muitas vezes, devido ao grande número de acessos e downloads dos novos e atualizados manuais para famílias e profissionais. As informações neles contidas, são atuais e observam as regras da ciência. Os pais são a maioria das pessoas que nos procuram em busca de informação, orientação, encaminhamento e até mesmo de conforto e esperança. Os profissionais também buscam conosco informações e orientações atualizadas. Participamos e promovemos palestras, seminários, pesquisa. Faremos nosso 1º Workshop em junho. Temos parcerias e relacionamentos com as principais Instituições e Universidades do Brasil e dos Estados Unidos, além de França e Inglaterra. Dentro da estrutura da A&R, contamos com um Comitê Científico, constituído das melhores referências em  psiquiatria, neurologia, biologia, genética.e são eles que analisam e decidem quais projetos serão escolhidos para investirmos em pesquisa. Temos doze sendo analisados por eles atualmente.


O Regional: O trabalho da Autismo e Realidade poderá se expandir para Catanduva e região? As cidades do interior, mais do que na capital, precisam de ações que falem sobre o Autismo?


Paula Balducci de Oliveira: Sim. Este é um dos objetivos. Diria, no entanto, que é igual à proporção do desconhecimento acerca do autismo. Este ano, além da maioria das capitais, muitas cidades do interior, incluindo Catanduva, serão iluminadas de azul. Tudo com o intuito de despertar o interesse da sociedade brasileira, eliminar preconceitos e derrubar barreiras. Autismo não é somente uma questão de saúde pública, mas também de educação e cidadania.
Fonte:O REGIONAL

Cresce o número de diagnósticos de autismo nos EUA


O número de crianças nos EUA que foram identificadas com desordens do espectro autista, caracterizadas por danos substanciais à interação social e comportamentos repetitivos, vem aumentando há anos. Os dados divulgados na quinta-feira pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), mostram um aumento de 23% sobre os dados de 2006 e um salto de 78% em relação a 2002.


Associated Press
Christopher Astacio lê com sua filha Cristina, de dois anos, na casa deles em Nova York. A menina foi recentemente diagnosticada com uma leve forma de autismo.


Os dados mais recentes vêm de registros de saúde e educação, coletados em 2008, de mais de 300.000 mil crianças de 8 anos em 14 Estados de todo o país. Pesquisas anteriores já haviam revelado que essa é a idade em que a maioria dos casos de autismo tem sido identificada.


Autoridades da saúde pública disseram que parte da mudança se deve ao aumento na identificação e diagnóstico de crianças mais novas e pertencentes a minorias, mas que isso não explica toda a tendência. Saber se realmente houve, durante o período estudado, um aumento nos fatores de risco para o autismo continua sendo uma questão premente.


"Uma coisa que os dados nos dizem com certeza é que há muitas crianças e famílias que precisam de ajuda", disse Thomas Frieden, diretor do CDC, em um comunicado. "Precisamos continuar a acompanhar os transtornos do espectro autista, porque são essas as informações de que as comunidades precisam para direcionar as melhorias nos serviços de auxílio às crianças."


Alguns especialistas questionam a forma como os dados foram coletados e analisados. Por exemplo, o relatório não diferencia as crianças diagnosticadas com autismo das que têm síndrome de Asperger ou uma deficiência generalizada de desenvolvimento, o que "é uma definição muito fácil de se obter", disse Fred Volkmar, diretor do Centro de Estudos da Criança da Universidade de Yale, que não esteve envolvido no estudo.


Volkmar disse que é possível que tenha havido, de fato, um aumento no índice de autismo durante o período do estudo, devido a várias mudanças ao longo do tempo, tais como uma maior prevalência de pais mais velhos que contribuíram com espermatozóides com pequenas anormalidades genéticas. Mas ele é cético quanto à magnitude da mudança em um período tão curto. "Parece bem rápido para uma mudança desse tamanho", disse Volkmar.


Rebecca Landa, diretora do Centro de Autismo e Desordens Relacionadas, do Instituto Kennedy Krieger, em Baltimore, não crê que o aumento possa ser atribuído aos métodos de estudo ou a uma questão puramente relativa ao diagnóstico. "No entanto, certamente as razões do aumento devem ser investigadas. As grandes questões sobre o aumento realmente têm que vir depois que nós passemos a compreender melhor as causas", disse Landa, que contribuiu com dados para o relatório.


O CDC adverte que os dados mais recentes não são representativos do país como um todo e que as taxas podem variar segundo a região. Também houve diferenças significativas na taxa de variação entre os 11 Estados que responderam à pesquisa em 2006 e também em 2008, que vão desde uma redução de 20% no Alabama até um aumento de 80% na Flórida, segundo o relatório.


"Para entender melhor, precisamos continuar acelerando nossas pesquisas sobre os fatores de risco e as causas das desordens do espectro autista", disse Coleen Boyle, diretora do Centro Nacional de Defeitos Congênitos e Deficiências de Desenvolvimento, do CDC.
FONTE:http://online.wsj.com/article/SB10001424052702303816504577313962022924398.html