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30 agosto 2011

A MUSICOTERAPIA NA ESTIMULAÇÃO ESSENCIAL DO AUTISTA DE 0 A 6 ANOS

Embora existam diversas correntes que buscam compreender a(s) causa(s) que leva(m) ao(s) quadro(s) de Autismo, todas concordam na caracterização principal da síndrome: a inadequacidade vincular.
O processo musicoterápico desenvolvido com essa clientela, objetiva minimizar o isolamento e/ou as fixações e estereotipias típicas da patologia, estimulando a interação lúdica através do fazer musical em grupo, bem como com os pais co-atuantes nas sessões.
Concluiu-se, a partir das observações iniciais, que a vivência musicoterápica proporciona a ampliação da percepção do indivíduo autista em relação ao outro, tanto física como sonoramente, desenvolvendo a interação através dos diversos canais de comunicação: o olhar, o toque e a escuta, estabelecendo relações vinculares fraternas (mãe/pai-bebê) e sociais positivas.

O presente artigo discorre sobre o trabalho musicoterápico realizado com crianças apresentando diagnóstico e/ou hipótese diagnóstica de autismo e/ou estados autísticos, na Sociedade Pestalozzi de Goiânia-Unidade RENASCER, inseridas no Programa ABRICOM- "Abrindo os Canais de Comunicação no Autismo Infantil".
Embora existam diversas correntes teóricas que buscam compreender a(s) causa(s) que leva(m) ao(s) quadro(s) de Autismo, todas concordam na caracterização principal da síndrome: a inadequacidade vincular. Observa-se na prática clínica musicoterápica, em consonância com a literatura, que o autista apresenta diferentes formas de inadequacidade vincular. Neste estudo priorizou-se pelo déficit apresentado na interação social (pessoa-pessoa), na interação lúdica (pessoa-objeto) e na interação perceptual (pessoa-música).
Segundo WING(1993), vários estudos sobre o desenvolvimento da capacidade biológica de interagir com os outros já foram realizados com bebês normais, evidenciando que a deficiência neste aspectos é um dos déficits considerado a causa dos problemas das pessoas autistas, ocasionada por uma "disfunção cerebral física". Define os transtornos da interação social como "tríade autística".
WING (op. cit.) enfatiza que o "transtorno no reconhecimento social" manifesta-se de maneiras diversas em cada caso, desde "procurarem ativamente um contato social de forma inadequada e unilateral (...) onde sua tentativa de contato é feita em função do próprio interesse, de uma idéia repetitiva e idiossincrática", até "não procurarem espontaneamente o contato social" ou, em casos mais graves, "não demonstrarem habilidade de reconhecer os outros seres humanos, isolamento e indiferença a pessoas e evitar ativamente o contato social ou físico com outros".
Segundo alguns teóricos, "o defeito original no desenvolvimento fetal do cérebro pode ser uma das causas de anormalidades neuroquímicas e é provavelmente o responsável pela resistência do bebê a ser tocado e reconfortado, evidenciando uma incapacidade que a criança autista tem de entregar-se a estímulos tácteis reconfortantes. A estimulação táctil, como carícias e abraços, pose promover um desenvolvimento mais normal, mesmo que o bebê se mostre indiferente aos carinhos. Se o bebê resistir ao toque, precisa ser gradualmente "treinado" a tolerar o toque reconfortante, pois quanto mais viver sem experimentar o sentimento de ser reconfortado, maior é a probabilidade de que os circuitos cerebrais envolvidos no desenvolvimento de contato emocional com os outros sejam prejudicados".
A inadequacidade vincular manifesta-se, no autismo, também na forma de comportamentos estereotipados, onde o indivíduo se auto-estimula gerando prazer para si mesmo. Com o passar dos anos, esses comportamentos estereotipados podem ser canalizados para fixações.
Como problemas centrais evidenciados no processo musicoterápico com os portadores de autismo, evidenciamos a "inadequacidade vincular", manifestada por: isolamento através da não interação social com os participantes da sessão; percepção reduzida demonstrada pela não exploração perceptiva de novos instrumentos e/ou novos sons, bem como um fazer musical e uma escuta estereotipada. Associando ao problema temos a interação familiar apresentando várias dificuldades: no estabelecimento ou manutenção do vínculo; resistência às trocas afetivas; uma falta de interação do familiar no processo terapêutico.
Frente a esse déficit na capacidade de vinculação, buscou-se efetivar um trabalho multidirecional e interdisciplinar com esta clientela. O Programa ABRICOM - Abrindo os Canais de Comunicação no Autismo Infantil- é um programa de atendimento terapêutico-educacional numa abordagem interdisciplinar, constituído por diversas áreas (Psicopedagogia, Musicoterapia, Terapia Ocupacional, Natação Especial, Fonoaudiologia, Psicomotricidade). Possui como caráter inovador a oportunização da interdisciplinaridade através da interação social do autista e seus familiares junto aos profissionais da instituição. Dentre as áreas terapêuticas, encontra-se a Musicoterapia.
A Musicoterapia possui como objetivo geral "utilizar a música e/ou seus elementos constitutivos (som, ritmo, timbres, instrumentos, intensidades...) como objeto intermediário de uma relação, objetivando a abertura de canais de comunicação à posterior integração/reintegração social". O processo musicoterápico desenvolvido com essa clientela, objetiva minimizar o isolamento e/ou as fixações e estereotipias típicas da patologia, estimulando a interação lúdica através do fazer musical em grupo, bem como com os pais co-atuantes nas sessões, onde a música vai ser o elemento de estabelecimento de relações.
A metodologia utilizada, no processo musicoterápico, configura dois momentos durante a sessão:
-1o. momento: FAZER MUSICAL: possui como objetivo principal "abrir um canal de comunicação" com a criança, quer seja através do olhar, do toque (nos instrumentos) ou da escuta (percepção dos estímulos sonoros). Neste momento também se oportuniza a possibilidade de canalizar estereotipias e/ou comportamentos inadequados, utilizando os instrumentos sonoro-musicais para re-significar ações e/ou condutas para atividades construtivas. Não se trata de inibir as estereotipias e/ou fixações, mas de canalizá-las para a auto-expressão, através dos diferentes tipos de interação. As interações podem ocorrer de diversas formas e em diversos âmbitos: interações com o instrumental , tendo o instrumento como objeto intermediário de uma relação, quer seja com o musicoterapeuta e/ou com seus pares; interação com o som/música, quer através de melodias ou ritmos conhecidos, quer através de sons novos ao seu universo sonoro, buscando oportunizar a percepção de novas fontes sonoras; interação com a atitude lúdica, tanto com o musicoterapeuta (que possibilitará a inserção dos elementos novos) como com os familiares e/ou grupo, oportunizando novos encontros e novas percepções sociais e sonoras, onde irão captar a atenção do seu bebê e desenvolver em si mesmos a confiança e naturalidade de que necessitam para se engajarem no processo interacional. Esta oportunidade de vinculação lúdica com o filho proporciona aos pais a possibilidade de mudarem o paradigma da e sobre a síndrome, bem como das especificidades de inter-relações da mesma e suas conseqüências no sistema familiar, pois do isolamento será possível atingir níveis cada vez mais crescentes e variados de interação, da frustração chegaremos à aceitação.
- 2o. momento: após este momento de auto-expressão, há o momento denominado de ACALANTO. Busca-se, neste momento, oportunizar as trocas afetivas mãe/pai-bebê, através do toque, do afago, bem como elevar a capacidade da criança em manter a atenção concentrada na expressão sonora da musicoterapeuta possibilitando a ampliação da sua escuta ao perceber "mensagens cantadas" que expressam o momento vivido.
Concluiu-se, a partir das observações iniciais, que a vivência musicoterápica proporciona resultados significativos: uma ampliação da percepção do indivíduo autista em relação ao outro, tanto física como sonoramente, quando se proporciona à escuta de algo novo; a diminuição do isolamento a partir do desenvolvimento da interação através dos diversos canais de comunicação: o olhar, o toque e a escuta, com possibilidades de re-inserção social; uma elevação da afetividade estabelecendo relações vinculares fraternas (mãe/pai-bebê) positivas; a re-significação de comportamentos inadequados canalizados ao fazer musical.
Desta forma, observa-se que a Musicoterapia proporciona uma intervenção efetiva à re-estruturação da capacidade vincular do indivíduo autista, possibilitando a re-integração social e cognoscitiva, visto ser "um meio natural para estabelecer contato, comunicação e interação".(FLOWERS, 1984)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
FLOWERS, S.E.C.S.A..- Musical sound perception in normal children and children with
Down's syndrome in GODELI, Maria Regina Conceição de Souza e GHIRELLO-
PIRES, Carla Salati Almeida.- Considerações a respeito da utilização da música na
Comunicação não-verbal na díade mãe-bebê, Revista integrAÇÃO
.
NASCIMENTO, Sandra Rocha do.- Programa ABRICOM- Abrindo os Canais de
Comunicação no Autismo Infantil, Goiânia: Sociedade Pestalozzi de Goiânia,(projeto),
1999.
WING, Lorna.-O contínuo das características autísticas in GAUDERER, E.Christian.-
Autismo e outros atrasos do Desenvolvimento: uma atualização para os que atuam na
área: do especialista aos pais (Trad. Angela Moura, Linda Lemos), Brasília: CORDE,
1993.

fonte:CEDAP

Um comentário:

  1. Olá,passando para parabenizar pelo Blog e para desejar uma ótima semana!!!

    Se quiser me visitar,sinta-se a vontade,se quiser me seguir,sinta-se em casa! ;D

    Beijinhos!

    www.ojardimdorei.blogspot.com

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