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18 agosto 2011

ATIVIDADES NO MEIO LÍQUIDO UM CAMINHO PARA MINIMIZAR ESTEREOTIPIAS EM PESSOAS AUTISTAS: ESTUDO DE CASO

Área de conhecimento: Educação Física
Palavras chave: Bolas e arcos; Comportamento estereotipado; Qualidade de vida.



INTRODUÇÃO
Há mais de dois anos, estamos por meio das atividades na água observando, analisando,
registrando e trabalhando na melhora comportamental de pessoas autistas, visando
aumentar sua qualidade de vida, promovendo a inclusão e sua interação social. O termo
autismo vem do grego “autós” que significa “de si mesmo”. Leo Kanner, em 1943,
acompanhou onze crianças que apresentavam características em comum, denominou esse
conjunto de características como autismo infantil precoce (KANNER, 1943). O autismo é
um transtorno invasivo do desenvolvimento com atividades restritas, repetitivas e
estereotipadas. Estas estereotipias podem ser movimentos repetitivos com as mãos ou com
o corpo, hábitos como o de morder-se e puxar os cabelos (MELLO, 2007). Além de se
tornarem hiperativos, perigosos, agressivos, ter déficit em atenção, apresentarem
comportamentos obsessivos compulsivos, depressão e muitas vezes mantêm consigo
objetos inseparáveis (ARAÚJO, 2000). De acordo com Freitas Júnior (2005), os benefícios
proporcionados pela água são diversos, tais como o fortalecimento muscular, reeducação da
marcha, melhora do equilíbrio, da coordenação e finalmente, é uma atividade lúdica e de
recreação, deixando a pessoa mais tranqüila e calma. Alguns autores franceses ao
desenvolverem trabalhos com crianças autistas perceberam o interesse destas com arcos e,
afirmam a relevância das atividades na água com este material, pois proporciona o lúdico e
a percepção do “eu”. Medina (2010) corrobora sobre os exercícios realizados com bolas e
arcos entre outros, colocando que promovem grandes oportunidades e uma vasta gama de
atividades, pois favorecem a educação do movimento, além de propiciar divertimento e
benefícios ao desenvolvimento físico, emocional e social às crianças.
OBJETIVOS
Analisar, comparar as atividades com bolas e arcos coloridos como um caminho para
minimizar estereotipias em autistas pré e pós-intervenção.
MÉTODO
Foi realizado um estudo de caso com duas (2) pessoas portadoras da síndrome autista, uma
do sexo feminino com 13 anos de idade com o nome fictício de Ester e um do sexo
masculino com 21 anos com o nome fictício de Samuel. Para analisar os objetivos desta
pesquisa foram utilizados registros contínuos das atividades na água por meio de uma Ficha
de Registro de Comportamento Observado (MUSOLINO, 2003), um Protocolo Padrão da
Associação dos Amigos dos Autistas (FREIRE, 1999) e uma câmara filmadora do
fabricante Sony, modelo DCR-SR47. Esta pesquisa desenvolveu-se durante um período de
8 meses, no qual as sessões ocorriam uma vez por semana com duração de um hora. Foram
aplicadas atividades com bolas de borrachas e arcos coloridos, estas propostas consistiam
em arremessar as bolas coloridas dentro do arco em diferentes distâncias com respectivas
cores. Outro recurso foi à imersão dos educandos, no qual o monitor os auxiliavam em sua
passagem por dentro do arco azul e, em seguida pelos demais arcos. Propusemos também,
rodas cantadas, flutuação e o relaxamento muscular, seguindo um plano de aula. Os dados
obtidos foram utilizados para uma melhor avaliação inicial, mensal e final analisando e
comparando a minimização das estereotipias dos participantes.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Em agosto de 2009, iniciamos o estudo de caso com Ester e Samuel, aplicando trabalhos
com bolas, arcos e rodas cantadas. Realizamos uma avaliação inicial das atividades no
mesmo mês, nas quais se constatou que, ambos os alunos apresentavam um forte
comportamento estereotipado e de auto-agressão, posteriormente realizamos avaliações
mensais e a final. Segue uma apresentação em forma de tabela para melhor entendimento
dos resultados.
Tabela 1 – Estereotipias apresentadas mensalmente – Ester e Samuel
Analisando a Tabela 1, podemos constatar que a aluna Ester apresentava graves
estereotipias de auto-agressão, arrancando os cabelos, as unhas e mantendo em seu
convívio habitual um “potinho”, do qual não se separava, não permitindo que o tocasse nem
guardasse. Caso alguém o retirasse de seu poder, começava a gritar e a arrancar os cabelos.
É portadora de crises de epilepsia, toma medicação desde um ano de idade, assim mesmo
necessitava de internações periódicas para controlá-las. O comportamento de Ester condiz
com Araújo (2000). Ester apresentou-se na avaliação inicial muito dependente de sua
cuidadora (mãe) nas Atividades de vida diárias, pois não escovava os dentes nem se vestia
sozinha, e não colocava sua comida no prato. Em agosto ela apresentou crise epiléptica.
Percebemos que toda vez que mudávamos o material utilizado fosse a bola ou arco,
apresentava a estereotipia de arrancar os cabelos seguidos de gritos, resistia no primeiro
momento, mas com insistência aceitava outro material, imediatamente se adaptava e o ciclo
se repetia, conforme relato dos mesmos comportamentos citados por (MELLO, 2007). Este
mesmo comportamento se manteve em setembro, porém, ela não apresentou crise de
epilepsia. No mês seguinte, houve mudanças em seu comportamento, pois, não arrancou as
unhas, não se constatou crise epiléptica, ainda gritava quando mudávamos o material, mas
já não arrancava os cabelos, apenas tirava a touca e o prendedor de cabelos. Sua cuidadora
confirmou que já não encontrava mais fios de cabelos com tanta freqüência, em sua
residência. Em novembro, Ester obteve um quadro de evolução evidente, pois já não
apresentava crise de epilepsia havia três meses, não arrancava mais as unhas e os cabelos,
apenas continuava com os gritos e tirava o prendedor de cabelos, quando queria impor sua
vontade. Desde o início do trabalho tentamos retirar da mão de Ester o seu “potinho”,
encontramos muita resistência, mas em novembro passou a confiar e permitiu que
guardássemos, porém ao final devolvíamos, caso contrário emitia gritos. Em dezembro,
seus comportamentos estereotipados se mantiveram ausentes, não arrancando cabelos e
unhas, contudo, ao entrarmos em recesso de final de ano, Ester voltou a apresentar crise de
epilepsia no dia 29. Já em janeiro, não apresentou crise de epilepsia continuando com os
mesmos comportamentos. Em fevereiro, alguns dias antes do retorno das aulas, Ester teve
que ser internada para controlar mais uma crise epiléptica, os demais comportamentos
estereotipados se mantiveram ausentes, com exceção de sua obsessão pelo “potinho”. Em
março, conseguimos uma das maiores conquistas no processo de minimização das
estereotipias, pois guardamos o “potinho” de Ester e há mais de três meses ela está sem o
seu objeto obsessivo, o qual manteve por quase toda sua vida. Tivemos o importante apoio
de sua cuidadora, já que sem esta colaboração, não conseguiríamos, pois é ela quem passa o
maior tempo com Ester. Em abril, Ester realizou as atividades sem apresentar nenhuma de
suas estereotipias, gosta de seus cabelos presos e com presilhas na frente para segurar os
fios que estão crescendo, suas unhas tem que ser cuidadas quase que todas as semanas. Os
gritos altos quase não se escutam, o aumento da medicação para o controle de ansiedade foi
suspensa pelo médico devido sua melhora comportamental. Houve autonomia em suas
atividades de vida diária, pois, já escova os dentes e se veste sozinha, condizendo com os
benefícios apresentados por (MEDINA, 2010). Concomitantemente, observamos outro
aluno, que chamaremos de Samuel. Este apresentava um forte comportamento
estereotipado de auto-agressão, pois, quando queria controlar a situação ou impor sua
vontade, começava a morder suas mãos, braços, pernas ou quem tentasse segurá-lo.
Percebemos então, na avaliação inicial, que precisaríamos ter uma posição de auto defesa.
Samuel é totalmente dependente de seus pais, parece ter tido poucos estímulos quando
criança, pois foi muito difícil atrair sua atenção, até o mês de setembro ele chegava irritado
e se mordendo, sua mãe nos relatou que os simples atos de parar, mudar o percurso ou
ouvir barulhos altos, já desencadeavam o processo estereotipado. Neste momento
utilizamos a imersão, passando-o por dentro do arco e ao retornar percebemos que tinha
parado de se morder, estava mais calmo e até sorria. Desta forma conseguimos atrair a
atenção para outras atividades, conforme preconiza Freitas Junior (2005), que descreve os
benefícios da imersão. Em outubro, Samuel estava mais calmo, respondia as atividades,
quase não se mordia e seus machucados estavam cicatrizados; presenciamos então,
momentos carinhosos com a família. Novembro Samuel apresentou novamente as fortes
auto-agressões, sendo que, sua cuidadora salientou que poderia ser devido à mudança de
medicação. Aconselhamos então que voltasse ao médico e imediatamente, este a
suspendeu. No mês seguinte voltou a realizar as atividades, ainda se mordia, porém,
participava e demonstrava prazer, sorrindo quando realizávamos as rodas cantadas. Em
janeiro, o quadro comportamental se manteve; já em fevereiro, ao retornarmos do recesso
escolar Samuel parecia contente em estar novamente nas atividades, pois ao início dos
trabalhos, se dirigia ao vestiário para trocar-se voluntariamente, ao entrar na água pulava e
sorria, correspondia prontamente aos pedidos de abraços, atendendo as ordens nas
atividades de forma participativa. Suas estereotipias se mostravam menos freqüentes,
durante as atividades já não se mordia e assim, se seguiu nos meses de março e abril. Sua
cuidadora nos relatou que Samuel não se mordia mais durante o percurso para o Projeto,
podendo inclusive mudar a rotina sem que apresentasse reações estereotipadas. Atualmente
Samuel está mais sociável, com menos lesões no corpo, já não se morde, a todo o momento
por qualquer motivo. Supõe-se que as atividades colaboraram efetivamente, no controle de
sua ansiedade. Com relação a sua independência a família reconhece que é necessário
incentivá-lo. Consideramos ser fundamental o papel dos pais no auxílio da minimização das
estereotipias.
CONCLUSÃO
Concluímos que estas propostas realizadas no meio líquido, com bolas e arcos,
contribuíram para minimizar as estereotipias características destes indivíduos. As atividades
na água parecem fazer com que os alunos se tornem mais calmos, tranqüilos, permitindo
um melhor contato, auxiliando na mudança comportamental e proporcionado uma melhor
qualidade de vida, pois Ester atualmente não apresenta suas estereotipias, quanto a Samuel,
estas minimizaram.

Joyce Vieira Martins dos Santos 1; Profª Ms. Rosemi Maria Chacon Musolino 2
Estudante do Curso de Educação Física; e-mail joycevm@ig.com.br 1
Professor da Universidade de Mogi das Cruzes; e-mail rosemimusolino@hotmail.com 2

fonte:Joyce Vieira

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAUJO, C. A. O processo de individualização no autismo. São Paulo: Memnon, 2000.
FREITAS JÚNIOR, G. C. A cura pela água: hidrocinesioterapia teoria e prática. Rio de
Janeiro: Rio Sociedade Cultural Ltda, 2005.
KANNER, L. Affective disturbances of affective contact. Nervous Child, 2, 1943.
MEDINA, V. Benefícios da Bola. Disponível em: www.guiainfantil.com.br Acesso dia 01
de maio de 2010.
MELLO, A. M. S. R, VATAVUK, M. C. Autismo: Guia Prático. 5 ed. São Paulo: AMA;
Brasília: CORDE, 2007.

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