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29 junho 2011

Fraude em ciência e em medicina


O coreano Hwang Woo-Suk, em 2006, assumiu publicamente fraudes em pesquisa sobre clonagem de embriões

Riad Younes
De São Paulo

Uma paciente me perguntou, indignada: Como isso seria possível? Sua revolta fazia sentido. Afinal, acabara de saber que um medicamento por ela utilizado de forma crônica, tinha sido retirado do mercado por efeitos colaterais graves. As publicações científicas que recomendaram seu uso tinham sido "maquiadas" para esconder complicações potencialmente fatais.

"Por que as revistas científicas sofisticadas permitem a publicação de estudos fraudulentos?". Evitar a publicação de pesquisas fraudulentas, em medicina particularmente, não é tão simples assim. Periodicamente tornam-se notórios casos escandalosos de mentiras médicas. Todos se lembram do caso do pesquisador coreano, Hwang Woo-Suk, que falsificou experiências sobre clonagem de embriões. Também devem recordar a controvérsia mundial sobre um estudo divulgado por um médico inglês, Andrew Wakefield, que afirmava descobrir que a vacina de sarampo causava autismo nas crianças vacinadas. Alarmaram milhões de famílias e autoridades de saúde ao redor do mundo. Recentemente, vários cientistas desqualificaram estes e outros estudos como enganos grosseiros.

Infelizmente, há a fabricação de resultados, a camuflagem de dados que contrariam as hipóteses dos autores, e a não divulgação de conflitos de interesse ou de corrupção. Cientistas, médicos ou não, afinal são humanos, sujeitos às virtudes e vícios como em qualquer outro segmento da sociedade. Análise sistemática, realizada pela Universidade de Edimburgo na Inglaterra, tem identificado que entre 2% e 14% dos trabalhos em revistas médicas são fraudulentos.

Mas, voltando à pergunta de minha paciente, como revistas científicas e médicas de grande prestígio permitem a publicação, e como os editores destas revistas poderiam "proteger" o público de cientistas e médicos inescrupulosos? Isso já acontece hoje. O processo de publicar um trabalho é complexo, com vários obstáculos e checagens, pelo menos nas revistas médicas com revisores e corpo editorial. Após recebê-lo, o editor envia todos os estudos submetidos a três ou quatro revisores. Estes, geralmente especialistas na área de interesse. Quando os revisores analisam e aprovam o estudo, este é enviado para publicação final. Qualquer dúvida em um ou mais pontos é devolvida para os autores do trabalho para esclarecimentos. Respondidas as dúvidas, decide-se então pela rejeição ou publicação final.

Infelizmente, alguns estudos escapam, para depois serem declarados fraudulentos. Isso não é uma situação simplesmente deplorável, mas ela pode afetar milhares de pacientes ao redor do mundo, causando gastos desnecessários, sofrimento e até morte. Editores, revisores, e até os próprios médicos funcionam como filtros para separar o joio do trigo, mesmo quando os estudos são publicados nas melhores e mais famosos revistas do mundo.

Bom senso, crítica e isenção ajudam a descobrir fraudes e corrupção na ciência. A ganância, a mentira, o conflito de interesse e o mau caráter não podem ser subestimados, nem mesmo na ciência e na arte médica. Vigilância contínua é atualmente a regra no meio científico mundial. E no Brasil também.


Riad Younes é professor Livre Docente da Faculdade de Medicina da USP. Médico do Centro Avançado de Oncologia do Hospital São José e do Núcleo Avançado do Tórax do Hospital Sírio Libanês, São Paulo. Especialista em câncer de pulmão. Foi Diretor Clínico do Hospital Sírio Libanês de março 2007 a março 2011.
FONTE:http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5209210-EI6582,00-Fraude+em+ciencia+e+em+medicina.html

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