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29 junho 2011

Entre ficção e realidade

Escritor Rômulo Nétto narra as dificuldades de um humilde casal às voltas com um filho autista em seu mais recente livro, “Não Fala Comigo”

Martha Baptista
Da Reportagem

O Brasil não conhece o autismo. “O Brasil precisa conhecer o autismo.” Esse é o tema deste ano do Dia do Orgulho Autista, celebrado em 18 de junho e que mereceu sessão especial do Senado esta semana. Classificado cientificamente dentro dos chamados distúrbios globais do desenvolvimento, o autismo é uma síndrome caracterizada por alterações que se manifestam na interação social, na comunicação e no comportamento. Ainda há muito desconhecimento sobre o autismo, que se manifesta normalmente quando a criança tem por volta de três anos e persiste por toda a vida adulta. O distúrbio atinge principalmente o sexo masculino, na proporção de quatro meninos para cada menina, e as causas ainda não foram claramente identificadas.

Por isso é mais que bem-vindo o livro “Não fala comigo! a história de um autista” (Carlini & Caniato editorial), lançado este mês pelo escritor Romulo Nétto, mineiro radicado em Cuiabá há 35 anos. Graduado em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade de Brasília, Romulo é funcionário aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e tem uma carreira profícua como escritor: ”Não fala comigo!” é seu décimo-primeiro livro publicado. Ele conta que se interessou pelo autismo por causa da lembrança de uma fala de sua filha Stéphanie quando tinha três anos. “Não fala comigo!” – dizia a menina - que não era autista -, quando estava chateada e queria afastar os pais.

Romulo Netto aprofundou-se tanto no tema que seu livro ganhou um texto de apresentação emocionado de Berenice Piana e Piana, diretora administrativa da Associação em Defesa do Autista (Adefa) e mãe de Dayan, 16 anos, autista clássico. “A história vivida por Martírio é a de muitos ‘Martirios’ por esse Brasil afora. A diferença entre o desfecho de nosso protagonista e dos muitos autistas está numa palavra: credibilidade. É o que a família ofereceu a ele todo o tempo, e nosso autor soube retratar tão bem”. Na opinião de Berenice, a naturalidade com que o autor aborda o tema faz até que se duvide que “não tenha vivenciado as dores da síndrome”.

MARTÍRIO

Romulo Netto conta a história de Epigmênio e Rutinha de Rubão, um casal que enfrenta dificuldades econômicas por causa do rigor da seca no sertão mineiro. A história começa num sítio em Paracatu – terra natal do autor, situada no noroeste de Minas Gerais, numa região de cerrado e forte tradição agropecuária. É lá que nasce o quarto filho do casal, batizado de Martírio, que desde cedo demonstrou ser diferente. Era só alguém pegá-lo no colo para que começasse “a choradeira sem fim”. As crianças mais velhas achavam que “o irmãozinho mais parecia bicho de alma penada” e “devotaram ao menino pronta aversão”.

Mas os pais, mesmo sem entender a princípio o que provocava o comportamento arredio do filho e os ataques de agressividade, não deixaram de aceitá-lo e amá-lo, mesmo que quase nunca pudessem demonstrar seu afeto através do toque, do afago. Ao longo de aproximadamente cem páginas, o leitor acompanha o crescimento de Martírio e acaba se envolvendo afetivamente com a família: a angústia de Rutinha diante das súbitas mudanças de humor do filho caçula, a preocupação do pai em protegê-lo das maldades do mundo.

A redenção de Martírio se dá através da música, que ele descobre por acaso através de um velho aparelho de rádio. O menino nem falava ainda, mas entrava em transe quando ouvia música (cantada ou orquestrada) no rádio. Tudo era música para ele: os pingos da chuva no telhado, o barulho de alguém rachando lenha, o mugido do gado no curral. “Tudo era motivo pra sua regência”.

Apesar das dificuldades de relacionamento com a maioria das crianças, Martírio, com o apoio dos pais, vai seguindo em frente: tem sucesso total na escola (apesar de o tacharam de anormal, doido ou retardado) e vai traçando seu caminho singular, cercado de sofrimento, porém cheio de arte e sentimento. Quando se sentia acuado e não encontrava respostas, esbravejava: “Não fala comigo!” antes de se recolher a seu mundo.

Com a ajuda de um psiquiatra da capital e principalmente graças ao amor de Rutinha e Epigmênio, o menino vai encontrando e identificando companheiros ao longo de sua trajetória e demonstra que, quando as pessoas reconhecem os diferentes, “muitas vezes eles são iguais e até superiores a nós”. É esta a mensagem de Rômulo Nétto que fez um acordo com seus editores (Eliane Canianto e Ramon Carlini) para que parte dos livros fosse vendida por entidades de defesa dos autistas, garantindo assim um percentual da renda para a causa.

DIA DO ORGULHO AUTISTA

A iniciativa de instituir o Dia do Orgulho Autista é da instituição Aspies for Freedom, fundada em junho de 2004, que luta pelos direitos civis dos autistas e mantém um site com fóruns sobre o transtorno do autismo e os demais transtornos de espectros autistas. O objetivo do grupo, além da luta pelos direitos do portador de autismo, é informar e educar o público em geral sobre o assunto e dar apoio às famílias de autistas.

No primeiro ano de celebração, em 2005, o tema escolhido foi "Aceitação; não cura". Foi realizada uma parada em Seattle, Washington (EUA), e ficou decidido que haveria um tema para cada ano, com objetivo de chamar a atenção da população em geral, reforçar os direitos dos autistas e combater todas as formas de discriminação contra os portadores desse transtorno.

A exemplo dos anos anteriores, várias universidades, governos, prefeituras e instituições promovem eventos como palestras, debates e caminhadas para celebrar a data. Essas instituições, tanto no Brasil como no exterior, destacam outros objetivos e temas do evento, como: desmistificação sobre o autismo, definições do transtorno, dificuldades e preconceitos, convivência em sociedade, intervenções terapêuticas, intervenções medicamentosas, o cotidiano do autista, depoimentos de pais, responsáveis e terapeutas, propostas pedagógicas, lacuna na formação acadêmica dos profissionais especializados, acessibilidade, propostas de políticas públicas, desafios da educação inclusiva, e metas para a divulgação e conscientização da população. No ano passado, no Dia Mundial de Conscientização do Autismo (2 de abril), a Organiação das Nações Unidas (ONU) declarou que, segundo especialistas, o transtorno atinge cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo (com Agência Senado).
FONTE:http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=395036

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