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26 março 2017

Búfalos como terapia para os autistas tailandeses


Montado em um búfalo, Shogun sorri. O menino autista de cinco anos participa de uma oficina do exército tailandês onde esses animais são usados para terapia.


Shogun vai duas vezes por semana a Lopburi, no centro da Tailândia, como outros 20 colegas que sofrem da mesma síndrome. 


Passeiam e brincam com balões montados nos búfalos e participam de pequenas oficinas de arte. 


Estudos recentes demonstram que a interação com animais tem consequências positivas no desenvolvimento socioafetivo das crianças autistas. 


Essa terapia, que tem o respaldo da família real, é uma exceção na Tailândia, onde há poucos programas destinados às crianças com deficiências. 


Para os budistas, os problemas têm uma causa. Nada é por acaso, e o destino depende dos atos realizados em vidas anteriores. 


Pimporn Thongmee, avô de Shogun, observou progressos incríveis em seu neto desde que ele começou a participar do programa. 


"Antes ele sofria muito por se separar de mim", explica. "Não conseguia ficar tranquilo nem se concentrar e gritava muito, mas agora consegue brincar com os outros". 

Na teoria, a legislação tailandesa outorga aos deficientes os mesmos direitos que ao resto da população, mas a realidade é menos idílica, e o país fica para trás em matéria de equipamentos. 


No sudeste da Ásia, a ideia budista do destino cármico atrapalha a implementação de uma política progressista e relega muitos deficientes à pobreza ou a viver escondidos. 


Manit Kaewmanee teve que tirar seu filho do colégio, onde as outras crianças o perseguiam. 


"Me entristece quando as pessoas dizem que ele é louco, que não pode falar, nem se comportar na sociedade, que é uma vergonha", conta. 


O sargento Kajohnsak Junpeng, responsável pela oficina, afirma que a lentidão dos búfalos traz serenidade para as crianças. 


"E se as crianças se penduram no rabo, eles não dão coices como os cavalos, não há acidentes", explica. 


O militar nunca imaginou que um dia estaria no comando de um exército de búfalos a serviço de jovens autistas, mas se sente "orgulhoso" quando vê "os progressos das crianças".

09 março 2017

Significado de Sinestesia

O que é Sinestesia:

Sinestesia é um fenômeno neurológico que consiste na produção de duas sensações de natureza diferente por um único estímulo.
É um termo que caracteriza a experiência sensorial de certos indivíduos nos quais sensações correspondentes a um certo sentido são associadas a outro sentido.
Sinestesia é uma palavra que vem do grego synaísthesis, onde syn significa "união" e esthesiasignifica "sensação", assim, uma possível tradução literal seria "sensação simultânea".
A sinestesia é uma condição neurológica que implica que o cérebro interpreta sensações de natureza diferentes em simultâneo, ou seja, um som pode representar uma cor ou um aroma (sensações que não são auditivas). Existe uma espécie de cruzamento de sensações em um só estímulo. Assim, uma cor pode ter um sabor ou um som pode ter uma forma.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a sinestesia não é uma doença, e por isso não há tratamento para ela. É simplesmente uma forma diferente do cérebro processar as informações obtidas através dos sentidos. A sinestesia é uma característica hereditária, sendo mais provável acontecer se há casos dentro de uma família. Alguns estudiosos afirmam que as pessoas que apresentam essa característica possuem uma memória acima da média e uma criatividade bastante desenvolvida.
Cerca de uma em cada 300 pessoas têm sinestesia.

Exemplos de sinestesia

A sinestesia está presente quando por exemplo, uma cor é ligada a uma impressão auditiva (audição colorida, fotismos) ou sons são  ligados a uma impressão visual (fonismos).
No vocabulário da língua portuguesa existem várias expressões que se referem a fenômenos de sinestesia, como vermelho-berrante, cores quentes. A expressão "voz doce" é outro caso de sinestesia, pois existe a junção de uma sensação auditiva (voz) e uma sensação gustativa (doce).

Figura de linguagem

No âmbito da linguística, a sinestesia é também uma figura de linguagem semelhante à metáfora ou comparação por símile, porque combinam elementos de universos diferentes. No caso concreto da sinestesia, os elementos distintos que são combinados são os sentidos humanos.
Eu me lembro daquela noite de Verão, e do aroma doce dos seus cabelos.
Neste exemplo, a sinestesia como figura de linguagem está presente na expressão "aroma doce", pois existe a combinação de duas sensações diferentes: a olfativa e a gustativa.

08 março 2017

Cientistas confirmam ligação entre autismo e sinestesia

Cientistas esclareceram pela primeira vez as ligações entre o autismo e a sinestesia, concluindo que pacientes nas duas condições têm uma sensibilidade sensorial notavelmente aumentada, embora apresentem diferenças na capacidade de comunicação.
A sinestesia é definida como uma “mistura de sentidos”, que faz com que, no cérebro do indivíduo, uma melodia desencadeie a visão de cores, ou que uma palavra tenha um determinado “gosto”, por exemplo. Segundo os autores, cerca de 3% da população mundial apresenta sinestesia. A forma mais frequente é associada a cores: a pessoa “vê” diferentes cores associadas a letras, ou a palavras como os nomes dos dias da semana, ou dos meses.
O autismo, por sua vez, é um distúrbio neurológico caracterizado por comprometimento da interação social e da comunicação verbal e não-verbal, produzindo um comportamento restrito e repetitivo. A condição atinge de 0,6% da população mundial, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O novo estudo foi liderado por cientistas das universidades de Sussex e de Cambridge, ambas no Reino Unido, e teve seus resultados publicados nesta terça-feira, 7, na revista “Scientific Reports”.
“A sinestesia tem sido tradicionalmente considerada mais como um talento especial do que como um comprometimento, enquanto o inverso ocorre com o autismo. Nosso estudo sugere que as duas condições têm muito mais em comum do que pensávamos, e que muitas das características sensoriais das pessoas autistas também são encontradas nas pessoas com sinestesia”, disse o autor principal do estudo, Jamie Ward, da Universidade de Sussex.
Dois estudos anteriores já haviam revelado que a sinestesia ocorre com frequência maior que o normal em pacientes com autismo, sugerindo que a ocorrência simultânea das duas condições não é um mero acaso. No entanto, ainda não haviam sido realizados estudos específicos sobre as ligações entre os sintomas.
A nova pesquisa mostra que tanto as pessoas com autismo como aquelas com sinestesia têm uma sensibilidade sensorial aumentada, apresentando aversão a certos tipos de sons e luzes. Os dois grupos também apresentam uma tendência a focar em detalhes.
No entanto, segundo o estudo, as pessoas com sinestesia tendem a não apresentar os sintomas comunicativos que em geral aparecem nos autistas. Embora o estudo mostre que certamente há ligações entre as duas condições, elas parecem ser mais sensoriais que sociais, segundo os autores.
De acordo com Ward, seu grupo publicará em breve um novo estudo com foco na questão do “savantismo”. De acordo com ele, os dados preliminares do estudo mostram que a sinestesia tende a ser especialmente comum em pessoas com autismo que também possuem as capacidades conhecidas como “savantismo”, que incluem habilidades excepcionais em matemática, memória acima do normal e talento artístico superior.
“Embora seja ainda preciso realizar mais pesquisas, nossa compreensão sobre o autismo no contexto das capacidades sinestésicas poderá nos ajudar a desvendar os segredos de alguns dos aspectos mais positivos do autismo, como o ‘savantismo’, além de descobrir novas ligações neurológicas entre as duas condições”, afirmou Ward.
De acordo com Ward, embora algumas teorias proponham uma relação de causa e efeito entre a sensibilidade sensorial aumentada e o comprometimento social dos autistas, os novos estudos até agora indicam que a sinestesia está no mesmo espectro do autismo do ponto de vista sensorial.
“Esperamos que no futuro sejamos capazes de explorar mais a fundo a relação entre os sintomas e capacidades de percepção, cognição e interação social em pessoas com autismo e sinestesia”, disse Ward.

01 março 2017

Pessoas com autismo estão morrendo cedo e 'isso é inaceitável', diz organização beneficente



 Pessoas com autismo estão morrendo décadas antes da média da população, uma pesquisa revelou.

Cientistas da Suécia analisaram dados de 27 mil pessoas com autismo e os compararam com quase 3 milhões de adultos que não têm a condição.

Eles constataram que os adultos com o diagnóstico de autismo morreram, em média, 16 anos antes dos membros da população geral.

Epilepsia e suicídio emergiram como as duas causas principais de morte precoce de autistas.

A organização beneficente britânica Autistica prometeu levantar 10 milhões de libras para lançar um programa de pesquisas sobre as estatísticas, descritas como “vergonhosas”.
O autismo é um transtorno vitalício que afeta cerca de 1% da população e, segundo a Press Association, afeta a capacidade de se comunicar e se relacionar com outras pessoas.

Sendo uma condição dita de “espectro”, seus sintomas podem variar de leves a muito graves, de pessoa para pessoa.

O estudo sueco descobriu que os autistas que também sofrem de um distúrbio de aprendizagem morrem mais de 30 anos antes da média da população, com a idade média de apenas 39 anos.

As pessoas com autismo que não apresentam entraves intelectuais morrem 12 anos antes da média, e mesmo autistas “de alto funcionamento”, com boas habilidades linguísticas e fonéticas, apresentam o dobro do risco médio de morrer jovens.

Entre 20% e 40% das pessoas com autismo sofrem de epilepsia, comparados com 1% da população geral. Os autistas sem entraves de aprendizagem também apresentam um risco nove vezes superior à média de cometer suicídio.

O executivo-chefe da Autistica, Jon Spiers, comentou: “Esta nova pesquisa confirma a verdadeira escala da crise oculta de mortalidade no autismo.

“A disparidade de resultados de pessoas autísticas revelada nestas cifras é vergonhosa. Não podemos aceitar uma situação em que muitos autistas não chegarão a completar 40 anos de idade.”

Falando em Londres, Spiers acrescentou: “Queremos levantar 10 milhões de libras nos próximos cinco anos para financiar um grande programa novo de pesquisas no Reino Unido sobre a mortalidade no autismo.

“Trata-se de um montante muito importante para nós, algo que supera o que já levantamos em toda nossa história de entidade beneficente de pesquisas. Mas consideramos que é imperativo moral tomar a iniciativa de tentar entender melhor por que os autistas estão morrendo tão cedo.”

Comentando as descobertas, Mark Lever, executivo-chefe da Sociedade Nacional de Autismo, disse: “Os 700 mil autistas do Reino Unido e suas famílias vão se angustiar profundamente com essa descoberta. Nossa entidade não pode aceitar e não aceita um mundo em que os autistas morrem mais de uma década mais jovens que o resto da população.

“Embora este estudo seja baseado em uma pesquisa sueca, não temos razões para crer que a situação seja muito diferente aqui. Na realidade, tememos que possa ser pior. O governo e as autoridades nacionais de saúde precisam urgentemente estudar o que está acontecendo neste país e começar a corrigir os desacertos.

“Os autistas e suas famílias precisam de garantias do governo e do NHS (o Serviço Nacional de Saúde) de que este problema será levado a sério e que serão tomadas medidas para corrigi-lo.”

Brasileiro desenvolve aplicativo para facilitar no tratamento do autismo

Cada vez mais, vemos iniciativas que prometem utilizar o potencial da tecnologia para ajudar na nossa saúde. Empresas como a Google, que está investindo na pesquisa de doenças do coração, ou a Nokia que já confirmou seu foco em "saúde digital" servem de exemplo e inspiração para várias outras que, dia após dia, trazem novas propostas como a que vamos comentar a seguir.


Um novo app chamado bHave promete simplificar o trabalho de profissionais como, por exemplo, fonoaudiólogos, terapeutas e psicólogos em relação ao tratamento de pacientes com autismo. Ele chega com a proposta de otimizar o tempo durante as sessões, para que se obtenha um melhor rendimento.
O bHave, que trabalha com o sistema de Análise do Comportamento Aplicada ( ABA - uma das abordagens mais efetivas para o tratamento de autistas), foi desenvolvido pelo empresário Cauê Nascimento em Recife.

Com o app é possível criar gráficos que podem ser preenchidos mediante a análise do comportamento, algo que ajuda diretamente no acompanhamento dos resultados da intervenção, orientando quando o profissional deverá atuar com mudanças no ambiente do paciente para produzir resultados significativos.



Antes, todo o processo era feito através da impressão de folhas de registro das atividades diárias, que necessitavam muitas vezes ser passadas a limpo, algo que acabava atrasando o tratamento em si.
Uma das maiores vantagens do bHave é que o profissional pode digitar os gráficos e ter acesso às informações de forma simples e rápida, em tempo real. Os resultados podem, inclusive, ser compartilhados entre eles e com a família, como uma forma de acompanhar de perto o avanço do paciente.

Em breve, além de poder ser utilizado em smartphones ou tablets, ele também ganhará uma versão web, e acabará se transformando em uma rede de informações entre os profissionais com potencial de ajudar, inclusive, em pesquisas sobre o autismo.
O projeto está em aberto para crowdfunding no site Kickante, e é possível contribuir com qualquer valor acima de R$10. Quem escolher as opções de contribuição acima de R$50 ganhará brindes como adesivos, carta de agradecimento, cadernos de colorir dentre vários outros agrados.

O bHave, que contará com versões gratuitas e pagas, já conseguiu mais de R$12 mil de apoio, porém ainda está longe de uma meta de R$185.000, portanto, vamos ajudar!

17 fevereiro 2017

Estereótipos impedem que mulheres com autismo se revelem

Acreditava-se que o autismo afetava mais os homens, uma teoria que já foi refutada, mas cujo legado permanece como um efeito devastador em mulheres com a doença
Professora mostra uma figura para
a aluna autista em uma escola de Paris (©AFP/Arquivo / Joel Saget)

Antes acreditava-se que o autismo afetava muito mais homens do que mulheres — uma teoria que já foi refutada, mas cujo legado permanece como um efeito devastador em mulheres com a doença.


Kay Locke, de 50 anos, que vive em Stockport, cidade na área metropolitana de Manchester, na Inglaterra, esperou 41 anos pelo diagnóstico que, finalmente, permitiria que ela se aceitasse como era.
“Costumava pensar que havia algo socialmente inaceitável a meu respeito”, explicou.

“As pessoas não gostavam de mim, embora eu fizesse de tudo para ser agradável. Eu sempre os irritava de alguma maneira, e depois nunca os via outra vez. Eu realmente queria ser sociável, mas apenas não sabia como.”

Durante essas quatro décadas, Locke teve dificuldades para manter amizades, porque não conseguia se encaixar nas expectativas da sociedade quanto à maneira que uma mulher deve se comportar e sentir.

“Sentia pressão para ser — por falta de uma expressão melhor — ‘normal’”, afirmou.

“É diferente para os homens. Meu pai era muito peculiar, e as pessoas gostavam do fato de ele ser estranho, mal-humorado e complicado — em minha experiência, isso é mais aceitável para um homem do que para uma mulher.”

“Quando eu era mais jovem, provavelmente era um certo pesadelo”, lembra Locke. “Dizia coisas que podiam soar muito inapropriadas ou impensadas.”

Ela teve dificuldades na escola, onde os professores a rotulavam de “criança maçante” que “não conseguia aprender” (apesar de Locke ter seguido em frente e hoje tem vários diplomas de mestrado, além de ter fundado seu próprio negócio, Yoga2Calm). Ela era terrivelmente assediada e, muita vezes, perdia o almoço porque no caminho ao refeitório poderia ter de enfrentar uma situação com a qual não saberia lidar.

Locke desenvolveu estratégias para poder ser “aprovada” em situações sociais.

“Tento evitar conversa fiada”, explicou. “Se alguém perguntar: ‘Como vai?’, vou pensar que realmente é uma pergunta muito abrangente e não vou saber como responder.”

“Mas aprendi a dizer: ‘Ah, estou bem. Como vai?’. Isso pode soar apenas como uma pequena estratégia, mas, para mim, saber o que fazer nessa situação é realmente algo importante.”

No entanto, apesar de Locke ter aprendido a navegar nas interações sociais, isso não quer dizer que tenham se tornado mais fáceis para ela.

“Quando tenho de lidar com uma situação social, posso ficar muito mal do estômago e ficar doente”, diz. “É minha ansiedade tirando o que tenho de melhor. Aprendi a apenas aceitar isso como parte da minha vida.”

É por isso que, depois de anos sentindo que havia “algo de errado” com ela, ser diagnosticada com o espectro autista foi um “absoluto alívio”.

“Olhando para trás, era óbvio”, afirma.

“Agora sei que não podia funcionar na sala de aula porque estava sobrecarregada, e aquilo me deixava muito ansiosa. Estava sempre pronta para brigar ou fugir, mas ninguém nunca percebeu isso, apenas me rotulavam como ‘estúpida’.”

“Tinha vários sintomas de uma menina e de uma mulher jovem que eram simplesmente ignorados.”

“Na verdade, dá vontade de dar risada, tiraram minhas amígdalas quando tinha 21 anos porque pensaram que eu não ficaria mais doente. Ninguém nunca pensou que os sintomas que eu apresentava repetidamente eram causados por ansiedade.”

Locke não está sozinha, de acordo com Carol Povey, diretora do Centro para Autismo da Sociedade Nacional Autística (NAS). Muitas mulheres com espectro autista passam anos vivendo sem um diagnóstico.

“Muitas vezes vemos mulheres que são diagnosticadas com mais idade porque receberam o diagnóstico errado de transtornos alimentar, bipolar ou de personalidade, quando os médicos foram incapazes de perceber os sinais da síndrome de Asperger”, explica Povey, acrescentando que o Centro para Autismo NAS Lorna Wing é especializado em diagnosticar mulheres que receberam o diagnóstico errado quando eram mais jovens. “Mas ainda há um longo caminho a percorrer”, diz.

Ainda existem milhares de mulheres e meninas sem o diagnóstico correto que estão em busca de apoio, mas sem saber a onde recorrer.

E de alguma forma Locke podia estar esperando seu diagnóstico, mas o resultado surpreendeu muitos de seus amigos e conhecidos, que não acreditavam que ela apresentava todos os traços “necessários” para ter autismo. Mesmo agora, muitas vezes, dizem a ela: “Você não parece ou age como se tivesse autismo”.

Mas, como Locke sabe muito bem, pessoas com autismo não possuem uma única maneira de agir.

Locke e o marido, Martin, têm duas filhas: Natasha, de 24 anos, e Olivia, de 15. Ambas foram diagnosticadas com o espectro autista.

Como todas as crianças, as irmãs são muito diferentes e suas experiências de autismo são também muito diversas.

“Todas temos autismo, mas expressamos [a síndrome] de forma diferente”, Locke explicou.

“O autismo de qualquer pessoa é diferente, já que nossa aparência é diferente, nossos cérebros são diferentes, a forma como amadurecemos é diferente, assim como a forma de lidar é diferente.”

Fiona O’Leary, de 44 anos, de West Cork, na Irlanda, concorda.

“Se você encontrar uma pessoa com o espectro”, explica, essa pessoa será única.

“Existem traços comuns, mas são apresentados de forma diferente, a personalidade desempenha um grande papel também.”

O’Leary, que é fundadora da organização não governamental Autistic Rights Together, tem cinco filhos com o marido, Tim: Dillon, de 23 anos, Vito, de 11, os gêmeos Romy e Sienna, de 8, e Phoebe, de 6.

Dillon e Vito foram diagnosticados com o espectro autista.

“Meu filho mais velho é muito sociável e extrovertido, enquanto que para o mais jovem as interações sociais são mais desafiadoras, um pouco mais como no meu caso, acredito”, explicou.

“A interação social para mim é certamente o assunto mais complexo de estar no espectro.”

Como Locke, O’Leary só foi diagnosticada por volta dos 40 anos, depois que seus filhos receberam o diagnóstico.

“Recebi minhas anotações do hospital há alguns anos e foi chocante lê-las, porque era óbvio que eu era autista desde pequena”, disse.

Ela cita traços como evitar olhar nos olhos das pessoas, problemas de interação social, “tudo foi anotado, mas ninguém considerou que eu poderia ser autista e acredito que em parte foi porque eu era mulher”.

“Quando eu era mais jovem, tinha ansiedade e transtorno alimentar, ambos traços comuns de mulheres no espectro”, diz O’Leary, destacando que os sintomas não levaram a um diagnóstico correto.

“Recebi o diagnóstico errado e me deram medicação —tranquilizantes para ansiedade — aos 16 anos. São medicamentos pesados com efeitos colaterais, não me ajudaram porque não eram o que precisava. Foi como se tivessem me engessado.”

“Receber o diagnóstico aos 42 anos foi muito importante para mim, porque passei a maior parte de minha vida me martirizando. Era muito crítica em relação a mim mesma. Não sabia quem eu era, e é uma maneira terrível de se viver. Desenvolvi anorexia quando era adolescente quase como uma maneira de lidar com a confusão.”

“Mas o diagnóstico explicou muito por que sou da maneira que sou e me amo muito mais agora.”

“Quando era jovem, assim como muitas garotas, era muito consciente sobre mim mesma”, acrescentou O’Leary. “Que é uma boa característica, mas uma faca de dois gumes, porque significa que sabemos que somos diferentes e fazemos de tudo para nos encaixarmos, para imitar.”

“Também internalizamos nossos sentimentos, o que para mim causava vários sintomas físicos, como dor de estômago e desmaios.”

“Aprendi a ficar quieta e a não reclamar, porque é o que as mulheres fazem. Então se eu estivesse em uma situação estressante, nunca diria a ninguém que estava me sentindo ansiosa, apenas sofria.”

“Tentar agradar outras pessoas a todo momento é exaustivo, e é como me sentia, sendo a Fiona antes do diagnóstico.”

“Como mulheres, nos esforçamos tanto para agradar os outros — para nos encaixarmos nas caixas que eles querem que nos encaixemos — que negligenciamos a nós mesmas e negligenciamos nossa saúde mental, e acho que isso é realmente muito triste, mas é a realidade.”

As mulheres que desenvolveram a capacidade de “mascarar” ou esconder os sinais de que estão no espectro autista podem, por fora, parecer mais integradas na sociedade, mas, como O’Leary afirma, o esforço tem um preço.

Segundo Povey, mascarar os sentimentos pode ser parcialmente responsável pela alta incidência de ansiedade e transtornos alimentares entre mulheres no espectro.

“Mascarar a si mesma pode ser muito cansativo e estressante”, diz. “E muitas vezes isso está relacionado com o desenvolvimento de problemas secundários como ansiedade, transtornos alimentares ou depressão, bem como o aumento das chances de um diagnóstico errado.”

Alis Rowe, de 27 anos, de Londres, foi diagnosticada com a síndrome de Asperger há cinco anos. Ela passou muito tempo de sua formação escolar mascarando seu comportamento natural.

“Ninguém deveria fingir ser o que não é”, diz Rowe.

“Até terminar a universidade, sempre tentei me encaixar. Fazia coisas que não queria fazer, porque pensava que eram as coisas que deveria estar fazendo.”

“No entanto, quando você percebe que não faz parte do ‘mainstream’ [do que é convencional], percebe que as coisas convencionais não vão funcionar para você.”

“Na verdade, os conselhos que as pessoas costumavam me dar, para ‘me esforçar’ e ‘sair da minha zona de conforto’, no final me deixavam muito pior e provavelmente causaram minha depressão”, continua Rowe.

“Eu sei quem sou. Sempre fui muito feliz em casa, onde tinha permissão para ser eu mesma e fazer minhas próprias coisas.”

“Foi apenas quando estava com outros da minha idade que me sentia estranha, anormal, inferior e diferente.”

“Não me enquadro no que a sociedade define como uma mulher deve ser. Quando você é mais jovem, isso pode fazer você duvidar de sua própria identidade, de sua sexualidade.”

“Mascarar é algo muito fácil de se fazer, você apenas copia os outros, e funciona quando você é mais jovem, já que as interações sociais são simples. Mas, assim que você atinge a adolescência e adquire uma maior consciência de si próprio e dos outros, começa a desmoronar.”

Rowe é fundadora do The Curly Hair Project, um empreendimento social dedicado a apoiar mulheres e meninas no espectro, o que a colocou em contato com milhares de outras mulheres com experiências semelhantes às suas. O projeto a levou a acreditar que o autismo pode estar subdiagnosticado entre as mulheres.

Povey, da NAS, concorda que as estimativas sobre o número de mulheres no espectro autista são difíceis de calcular.

“Não há forma de saber a verdadeira discrepância entre o número de homens e mulheres autistas; as taxas de prevalência variam muito entre proporções de 2-1 para 6-1”, explicou.

“Anteriormente, acreditava-se que o autismo afetava muito mais homens do que mulheres, enquanto, mais recentemente, avalia-se que a discrepância nos diagnósticos pode ser devido [ao fato] de que as mulheres são melhores em mascarar os clássicos sintomas do autismo e apresentá-los de maneiras diferentes, tornando a identificação mais difícil para médicos e pais.”

“Pesquisas anteriores sobre o autismo se concentraram muito mais em homens, significando que a forma pela qual entendemos a doença, culturalmente e clinicamente, tende a ser baseada em experiências e comportamentos de homens e meninos.”

“Isso reforça a narrativa muito masculina do autismo, que tem moldado os critérios usados para diagnosticar o autismo, o tipo de apoio disponível para as pessoas e a percepção pública sobre o que é o autismo.”

Neste ciclo perpétuo, que poderia ser visto como uma forma de discriminação estrutural não intencional, muitas mulheres e meninas passam a vida sem um diagnóstico ou recebem o diagnóstico errado e ficam sem apoio, o que poderia fazer uma enorme diferença em suas vidas.

Nicky Clark, de anos 49, de Shropshire, na Inglaterra, passou por isso. Clark e suas duas filhas foram diagnosticadas com o espectro autista. Mas o diagnóstico dela e de sua filha mais velha não foi nada simples.

“Diagnosticar o espectro autista é mais difícil entre meninas, porque muitas vezes somos condicionadas a apresentar uma máscara”, disse.

“É como se você fosse um cisne deslizando na superfície da água, mas furiosamente dissimulando por baixo.”

“O estresse de esconder todo aquele fingimento, para não perturbar as pessoas, deve ter um papel no motivo pelo qual há uma alta incidência de transtornos alimentares e ansiedade em mulheres com o espectro autista.”

Lizzy, de 21 anos, a filha mais velha de Clark, foi diagnosticada aos 11 anos, depois de um processo de 18 meses de avaliação — durante o qual ela recebeu o diagnóstico equivocado de déficit de atenção/hiperatividade e o remédio Ritalin.

Sua filha mais nova, Emily, agora com 18 anos, foi diagnosticada aos 3 anos. O processo no caso dela foi mais fácil, e Clark acredita que seja porque ela apresentou mais sinais típicos do espetro autista — não olhava nos olhos das pessoas, não conversava e parecia estar ausente.

Ter duas filhas diagnosticadas em idades diferentes significa que Clark tem experiência em notar a diferença que o diagnóstico precoce pode fazer em termos de apoio disponível para uma criança.

“É absolutamente crítico”, disse. “Lizzy não teve apoio, mas o diagnóstico de Emily significou que ela foi capaz de conseguir apoio, primeiro na educação convencional, e depois com um especialista em casa.”

Clark, por sua vez, apenas foi diagnosticada em outubro de 2015. Ela notou que as pessoas ficam muitas vezes “surpresas” ao saber que ela se encontra no espectro autista, porque sua carreira como defensora dos direitos de pessoas portadoras de deficiência e escritora com blogs no The Huffington Post do Reino Unido e artigos publicados nos jornais The Guardian e Independent não se enquadra na visão delas do que uma pessoa com autismo pode conseguir.

“As pessoas dizem: ‘Você não pode ser autista, você é muito criativa’”, diz. “Mas, na verdade, a escola de teatro foi maravilhosa para mim, porque, depois de anos mascarando, estava bem preparada para atuar — como se eu tivesse sido várias pessoas diferentes, em vez de ser eu mesma, toda minha vida.”

Um motivo pelo qual Clark sente que tinha de esconder muito de sua verdadeira personalidade foi devido ao padrão tendencioso sobre as expectativas do que é um comportamento aceitável para um homem e uma mulher.

“Realmente acho que sou vista como ‘difícil’ devido à maneira pela qual reajo às coisas”, explicou. “Nunca foi minha intenção causar problemas, mas um pouco do meu comportamento era visto como agressivo, enquanto que, se fosse um homem, teria sido considerado assertivo. Quando, na verdade, eu não estava fazendo nada mais do que dizer ‘aqui estou’. Isto é o que sou.”

Clark admite que “tremeu” quando revelou publicamente seu diagnóstico.

“As pessoas me chamavam de corajosa, o que possivelmente destaca o perigo que parece existir para uma mulher com espectro autista”, disse.

“Mas senti que tinha de divulgar meu diagnóstico porque, de outra forma, estaria negando esta parte de mim e também uma parte das minhas filhas.”

Depois de passar anos mascarando suas verdadeiras identidades, Clark, Locke, O’Leary e Rowe acreditam que é de vital importância que as mulheres com autismo parem de negar quem são.

Locke diz que decidiu falar sobre seu espectro autista porque sentiu que era importante “levantar e entrar na contagem” e dizer “nós existimos”.

“Minha grande esperança é diminuir o medo que as mulheres sentem em admitir que têm autismo”, disse. “Porque a pior coisa é sofrer e não receber nenhuma ajuda.”

O’Leary acrescentou: “Esta é a razão pela qual precisamos mais do que a conscientização sobre o autismo; precisamos de aceitação”.


“Quando a sociedade como um todo aceitar as mulheres com autismo como elas são, então todas poderemos ser nós mesmas. Podemos ter orgulho de ser autistas.”
Fonte:http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/estereotipos-impedem-que-mulheres-com-autismo-se-revelem/

Autismo pode estar associado à poluição atmosférica

Descoberta foi constatada através de estudo americano

A Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, realizou um novo estudo sobre efeitos da poluição, constatando que partículas finas de poluição do ar durante a gravidez até os dois primeiros anos da infância pode estar ligada ao desenvolvimento de transtorno do espectro do autismo (ASD). 

O estudo, realizado por pesquisadores, da Escola de Saúde Pública da universidade foi desenvolvido com base na população e com controle de caso das famílias que vivem no sudoeste da Pensilvânia, sendo avaliadas crianças portadoras e não portadoras de autismo. Foi criada uma estimativa da exposição dessas crianças a determinadas categorias de poluição do ar com base nos locais que suas mães viviam antes, durante e após a gravidez. 

As evidências de uma associação entre a má qualidade do ar em Pittsburgh e problemas de saúde foram bem acentuadas. Em especial, os transtornos que afetam as crianças, incluindo o do espectro autista e a asma. No entanto, tal resultado, não comprova a causalidade e tão somente, a associação. 

Um outro estudo, realizado em 2014, descobriu que mulheres gestantes podem quase dobrar o risco de dar à luz uma criança com autismo por inalação da fumaça que é expelida pelos veículos ou chaminés. O que veio a comprovar pesquisas anteriores que estabeleceram relação entre o autismo e a poluição do ar. Essas pesquisas mostraram que mulheres em seu terceiro trimestre de gestação apresentaram mais vulnerabilidade à doença quando respiraram níveis elevados de partículas transportadas pelo ar e emitidas por usinas de energia, automóveis e incêndios.

Fonte: http://bemstar.globo.com/index.php?modulo=corpoevida_mat&url_id=6030